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Refogado

Aconteceu no feriado

por Marcio Alemão publicado 27/04/2014 11h14, última modificação 27/04/2014 11h22
Por que não é nada simples comer, hoje em dia, um simples pintado grelhado sobre brasas? Por Márcio Alemão, colunista de gastronomia de CartaCapital
Flickr / Breno Peck
Refogado

A comida do hotel que frequento há muitos anos segue, com impressionante regularidade, sendo uma das piores. Na sauna, todavia, ouço: “A comida daqui é maravilhosa, não é?” No hope. Seguirão firme perpetuando o mau gosto da média. Também por sermos, desde ontem, fanáticos sorvedores de mosto de uva fermentado, gororobas tornam-se apetitosas com mais facilidade.

Por isso pouco comi por lá. Adoro o local, detesto a comida. Fui à cidade e na Glória Gaúcha, churrascaria que cobra 31 reais pelo rodízio completo, comi pelo menos sete vezes melhor do que nas últimas duas vezes em que estive na sofisticada churrascaria do sofisticado shopping de São Paulo.

E quando chegou a noite, fui para um local que é praticamente impossível não enfrentar longa espera durante o almoço que, acreditem, começa às 11 da manhã. Temi encontrar, às 20h30, um local assolado por um tsunami. Sábado à noite em meio a um feriado. Pois eu lhes digo: parecia que o local havia passado por uma reforma entre o almoço e o jantar. Tudo, tudo absolutamente impecável. O local se chama Peixada do Lago e fica na estrada entre Pedreira e Amparo.

Os garçãos pareciam ter acordado aquela hora, tomado banho e recebido beijos da mulher amada. Sorriam com real alegria. Cervejas, todas, e não aquela deprimente seleção: Bohemia, Cerpa e agora Stella ou Heineken a 9 mangos. Tô fora. Ah, sim, e nenhuma bobagem artesanal feita por um engenheiro aposentado e seu filho, um jovem que se tornou mestre cervejeiro depois de ter fracassado com uma franquia de pregos artesanais.

E comemos um pintado na brasa. Comemos vários e sou obrigado a dizer: não existe nada parecido nessa enorme e gigantesca Meca Gastronômica chamada São Paulo. O sabor da carne com a fumaça leve. Carne macia, suculenta na sua medida. Ponto exato. Vem de Belém o peixe. O Paulo, que é o dono do local, consegue com relativa facilidade receber ótimos peixes. E por aqui? Por que não é nada simples comer um pintado grelhado sobre brasas?

E terminei o feriado com chave de ouro nas mãos de Sirlei, que recriou um escondido de peixe e camarão com mágica delicadeza e enorme sabor. Juntamente com um Buçaco Branco, renascemos todos.

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