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Política

Rede social do bem

por Edgard Catoira — publicado 22/10/2013 17h40, última modificação 22/10/2013 17h51
Grupo cria ligação direta do cidadão com autoridades

Um grupo de jovens, no Rio de Janeiro, acompanhando a força que representam as redes sociais, resolveu criar, em meados de 2011, uma rede eletrônica para aproximar os cariocas dos tomadores de decisão na cidade. Para isso, eles se uniram e fundaram a organização Meu Rio, que definem como uma “rede de mobilização que tem como objetivo aproximar o cidadão comum das decisões políticas tomadas na cidade do Rio de Janeiro”.

O site, http://www.meurio.org.br, tem hoje mais de cem mil seguidores que recebem comunicações sobre o Rio em seus e-mails e pelas redes do Facebook e Twitter. Tudo em canais de mãos duplas, por onde os cariocas podem redistribuir a seus contatos as campanhas em que se envolverem, e também buscar informações com o Meu Rio. Além disso, qualquer cidadão pode criar sua própria campanha através do site Panela de Pressão (http://paneladepressao.org.br).

Recentemente, Jovita Belfort, mãe do lutador de UFC Vitor Belfort, procurou o grupo para ajudá-la na criação de uma delegacia especializada em investigar desaparecidos no Rio. Sua filha, Priscila, desapareceu em janeiro de 2004. Ela lembra que, só neste ano, 3.600 pessoas estão registradas como desaparecidas no Estado do Rio, das quais, cerca de 1.500 no município.

Em parceria com outra ONG conhecida, a Rio de Paz – que atua no setor de violência policial e corrupção – a campanha pedindo a criação de uma delegacia especializada em desaparecidos foi lançada na última semana. Através do link http://paneladepressao.org.br/campaigns/362 o cidadão pode pressionar via e-mail, telefone e twitter os responsáveis por criar a delegacia: governador, secretário de Segurança Pública e chefe da polícia. Até hoje, esses endereços já receberam mais de mil solicitações.

Quando o assunto é com outras entidades, como Assembleia ou Câmara, serão os deputados e vereadores os alvos dessa artilharia eletrônica.

Jovita Belfort, a mãe de Priscila, já tinha conseguido o interesse da Segurança Pública para que fosse aberta a delegacia, nos moldes das que existem em São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo e, agora, em Santa Catarina, cuja inauguração ocorreu em setembro. Mas tudo ficou como era antes. E isso já tem dois anos.

Agora, com o caso do pedreiro Amarildo, que ainda sensibiliza a população, o Meu Rio alerta:

A sociedade precisa aproveitar o momento para cobrar da delegada Martha Rocha, do secretário Beltrame e do governador Sérgio Cabral a criação da delegacia especializada em investigar desaparecidos! Não podemos mais postergar essa história! Esse é um passo fundamental para dar a essas famílias a atenção e o cuidado que elas merecem.”

Para fazer a solicitação, dispuseram o quadro reproduzido neste texto.

Esta é uma forma atual de a população usar esse canal de pressão. Inclusive como em outras campanhas, como aprovar e fazer reivindicações para o Orçamento do Município que está sendo aprovado pela Câmara Municipal. O Meu Rio, além de informar o que está em jogo nas decisões do Orçamento, fornece dados e encaminha reivindicações dos cariocas aos vereadores ou ao prefeito.

Com essa ferramenta, qualquer luta é individual e coletiva. Todos podem sugerir campanhas, através da Panela de Pressão e exigir coletivamente causas de interesse social. Ou seja, quem quiser, pode – e tem como – se mobilizar pela melhor qualidade de vida no Rio de Janeiro.