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Política

Prefeito apoia ONG AfroReggae

Pronto, falei

por Edgard Catoira — publicado 22/07/2013 10h33, última modificação 22/07/2013 11h32
Divulgação
Eduardo Paes

Prefeito e dirigente da Voz da Comunidade, no alto do Alemão

Sou um otimista. Volta e meia, apesar de minha idade, ainda tenho lampejos de esperanças utópicas de uma vida mais digna para o carioca.

Um desses raros momentos do último fim de semana.

O que aconteceu foi o seguinte: o Governo do Estado considera que algumas favelas do Rio estão pacificadas. Sem vestígios dos antigos traficantes ou milicianos que, de fato, governavam as comunidades. Entre essas, estão as favelas que compõem o Complexo do Alemão. Cabral – e sua Secretaria de Segurança – consideram a região “pacificada”, livre da truculência de traficantes. Triste inverdade. Apesar da Unidade de Polícia Pacificadora existente no Alemão, a ONG AfroReggae recebeu ordens de traficantes para encerrar as atividades do centro comunitário que tinham no local, que beneficia 350 crianças, tendo oficinas de artes como principais atividades.

Enquanto o Governo do Estado se calou depois do anúncio de que a ONG encerraria seu trabalho na favela, o prefeito Eduardo Paes foi pessoalmente ao local e disse que a Prefeitura assumiria todas as atividades da AfroReggae, numa atitude que eu definiria como de “macho”. Ele peitou pessoalmente as ordens do tráfico. E ainda doou um terreno para Renê Silva, responsável pelo jornal Voz da Comunidade, reconstruir nova sede. A antiga ficava no prédio da AfroReggae e foi  incendiada em ato até agora considerado criminoso pelos dirigentes da ONG.

Paes foi também elegante. Disse que o processo de pacificação do Alemão não terá volta, afirmação que deveria ter sido feita pelo responsável pela segurança do Estado, ou seja, o governador. Foi a forma que achou para não deixar Cabral em situação desconfortável.

“Bravata política de Paes” poderiam dizer os adversários políticos do prefeito, entre os quais me incluo. Pode ser. Mas ele cumpriu um papel que é o de uma autoridade: foi no local de conflito e fez valer o poder constituído. Se vai ou não conseguir segurar essa atitude, veremos nas próximas semanas.

A pronta ação de Eduardo Paes como autoridade constituída se impondo é alentadora. Sair de seu gabinete e mostrar a cara em zona de conflito deveria ser comum numa democracia. Paes inaugura a postura de um estadista no Rio. Ponto para ele.