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Política

Me engana que eu gosto

por Edgard Catoira — publicado 15/07/2013 10h41, última modificação 15/07/2013 10h45
Com problemas de esgoto e o reaparecimento do tráfico na Rocinha, governo desvia atenção com novos projetos milionários. Por Edgard Catoira
Divulgação / governo do Rio de Janeiro
Favela da Rocinha

Rocinha: muitos projetos, mas ainda sem esgoto

No próximo dia 19, sexta-feira, com a presença do vice-governador Pezão, o Clube de Engenharia promoverá, no Rio, debate sobre o projeto de implantação de um teleférico na Rocinha.

É impensável que a iniciativa possa ir além de um exercício acadêmico de engenheiros preocupados com soluções para a mobilidade urbana. Mas parece que não. Trata-se de uma proposta concreta do governo Sergio Cabral (PMDB) que, diga-se de passagem, foi um verdadeiro desastre na área de transportes.

Cabral e seu companheiro de festas em Paris, Júlio Lopes, dublê de empresário e secretário de Transportes, fracassaram com todos os modais de transporte.

Em terra, não conseguiram colocar os trens suburbanos nos eixos. Atrasos e acidentes fazem parte da triste rotina do serviço. Sob a terra, o metrô deixou de ser expandido como rede para se tornar uma tripa rumo às Olimpíadas na Barra da Tijuca. No mar, barcas com preços exorbitantes, quando não estão à deriva na Baía de Guanabara, revoltam seus usuários. E até os bondinhos de Santa Teresa saíram dos trilhos para nunca mais voltar. Portanto, não é à toa que a população tem gritado alto nas ruas que não aguentam mais o sistema de transportes da Era Cabral.

A favela da Rocinha vive graves problemas de saneamento. Quando não invade as casas, o esgoto desce o morro e é despejado no costão de São Conrado. E não é difícil encontrar casas na comunidade que sequer possuem janelas. Será que Cabral sabe o que é isso? Que pessoas moram em cubículos sem janelas? Não por acaso a Rocinha ostenta uma taxa de incidência de tuberculose vergonhosa.

E o governo vem com essa história de teleférico? Fala-se num custo de meio bilhão de reais (!!!) para a obra. Ora, ideia semelhante só poderia passar pela cabeça de quem voa por cima de todos em helicópteros milionários ou de que têm outros interesses pelo meio do caminho.