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Política

O papa em Copacabana

Francisco nas areias

por Edgard Catoira — publicado 19/07/2013 15h05, última modificação 19/07/2013 15h59
Artistas, que fazem lindas esculturas em homenagem ao Rio, alteraram suas obras em função da chegada do pontífice
As banhistas do Bira: nuas no tema Hebe Camargo e agora, de saia para receber o Papa

As banhistas do Bira: nuas no tema Hebe Camargo e agora, de saia para receber o papa

Copacabana está se preparando para receber o papa. Tudo está sendo alterado na orla para os eventos religiosos que acontecerão durante a Jornada Mundial da Juventude, entre 23 e 28 de julho.

Do começo ao fim do calçadão que fica entre as pistas da Avenida Atlântica, foram erguidos cenários do Novo Testamento. Nas areias, enormes totens também remetem à Via Sacra. Enfim, a religiosidade toma conta de toda a orla.

Durante o dia, uma caminhada pelo calçadão, sob o sol invernal carioca, a uma temperatura em torno dos 30 graus, além desse novo mobiliário urbano, muita gente de fora circula despreocupadamente, em grupos que falam com diferentes sotaques nacionais e diversas línguas estrangeiras. É uma Babel interessante, jovem, alegre.

Para o morador e frequentador de Copa – como é carinhosamente conhecido o bairro – é sempre uma curiosidade a mais para ser observada.

O cenário continua o mesmo, que sempre envolve de paixão qualquer observador, novo ou antigo: de um lado, o Pão de Açúcar, atrás do Leme, e do outro o Forte. Brisa, cores, coqueiros, aves, tudo fascina, camelôs, tranquilidade. A falta de tranquilidade, nestes dias de protestos, fica no Leblon, perto da casa do atualmente rejeito governador.

O bom pesquisador, porém, vai perceber mudanças específicas em pequenos pormenores: os artistas de areia, que fazem lindas esculturas em homenagem ao Rio, alteraram um pouco suas obras. Todas, evidentemente, têm como tema comum a chegada do papa. Assim como acontece no fim de ano, nas festas juninas, ou em eventos especiais. Também em comum, ali estão locais da cidade e o charme sensual das mulheres do Rio.

Bira, por exemplo, o escultor de areia, que há mais de duas décadas está instalado no Posto 6, na altura do Hotel Othon, é famoso por construir belas mulheres, enfatizando a preferência nacional, que são os glúteos femininos, avantajados, sempre usando maiô fio dental.

Quando Hebe Camargo estava mal, também foi tema de Bira. Rodeada, claro, por perfeitos bumbuns de mulheres deitadas na praia. Agora, para o papa, Bira achou por bem vestir suas meninas. Assim é que, nesta semana, mal conseguindo esconder o traseiro da única beldade, deitada ao lado da figura de Francisco e abaixo do Cristo do Corcovado, ela usa – isso é inédito – uma saia. Ou minissaia. Para não constranger o Santo Padre. Afinal,para os padrões do artista, ela está muito bem vestida. Quase uma freira.

Pela posição e pelo apelo erótico, dificilmente o papa não perceberia a figura. Arte, porém, é uma imitação da vida. E a mulher esculpida seria a carioca, tropical e sensual. Portanto, o papa não reprovará a arte na areia. E a liturgia do evento continuará diante de figuras naturais. Como se fosse na Capela Sistina de Copacabana.

Seja bem vindo ao Brasil, papa Francisco!