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Política

Carioca mostra força nas ruas

por Edgard Catoira — publicado 13/08/2013 08h57, última modificação 13/08/2013 09h36
Manifestantes protestam contra o governo e a prefeitura e contra a tentativa da base governista municipal de controlar a CPI dos Transportes

Continua o impasse em relação a CPI dos ônibus. Os quatro vereadores indicados para a CPI – Professor Uoston (PMDB), Chiquinho Brazão (PMDB), Jorginho da SOS (PMDB e Renato Moura (PTC), todos da base do prefeito Eduardo Paes – continuam irredutíveis e pelo jeito não renunciarão. Os manifestantes protestam e apresentaram uma nova lista de reivindicações, mas ainda não foram atendidos. O único passo dado foi o adiamento da primeira sessão da CPI, que seria amanhã (dia 13 de agosto) e foi remarcada para a próxima quinta-feira (dia 15).

Os fatos: vereadores da oposição à Prefeitura do Rio colheram assinaturas de seus pares e conseguiram aprovar uma CPI, na sexta feira dia 9 de agosto, para investigar os contratos das empresas de ônibus no Rio de Janeiro.

Vereadores da base governista, porém, em reunião convocada na semana passada, conseguiram se apropriar da presidência e relatoria da CPI, com o claro intuito de, como é hábito político no Brasil, fazer da CPI uma grande pizza. Só que desta vez, o povo está atento. A Câmara, desde então, foi tomada por manifestantes que passaram o fim de semana – com aprovação da Justiça – dentro da casa do povo. E exigem que os que abriram a CPI sejam os membros efetivos dela. Tudo isso está pormenorizado neste texto.

O presidente da Câmara fechou as portas para o público – e funcionários – e convocou uma reunião para segunda-feira 12. Claro que os protestos na rua aumentaram. E nada mais foi decidido. O que se sabe é que os vereadores que se apossaram da CPI não tiveram coragem de aparecer nesta reunião. Pela primeira vez, tanto os manifestantes que permanecem dentro da Câmara, quanto fora, gritam e pedem que os políticos idealizadores da CPI devem desenvolvê-la.

Como qualquer mortal foi proibido de acompanhar a reunião dos parlamentares, passo as explicações de dois dos vereadores que deram satisfações públicas: Eliomar Coelho e Paulo Pinheiro, ambos do PSOL e aclamados pelos cidadãos para assumir a CPI.

Diz Eliomar Coelho:

Apesar de avisados em cima da hora, participamos da reunião entre o Presidente da Câmara e demais vereadores. Fizemos a proposta para que a convocação da CPI dos ônibus para amanhã, terça feira, fosse suspensa por dois motivos:

1- Não houve qualquer deliberação dos membros da CPI quanto a estratégia de trabalho a ser adotada. A escolha dos depoentes sem um planejamento anterior prejudicaria a linha de investigação, uma vez que colocaria o carro na frente dos bois;

2- Estamos atentos e sintonizados com as manifestações populares que pedem, inclusive, o anulação da sessão de instalação da última sexta e a renúncia dos outros 4 membros que, desde o início, foram contrários à CPI. Vamos continuar dialogando para que as reivindicações dos movimentos populares sejam atendidas e, uma sessão de abertura dos trabalhos amanhã, legitimaria todo o processo ocorrido até agora.

Importante esclarecer também, que nunca concordarei e farei parte de qualquer sessão da CPI que não seja transparente e com ampla convocação popular.

Nesse tempo, nosso gabinete continua com as investigações sobre as empresas de ônibus.

Paulo Pinheiro disse:

Na reunião de hoje (dia 12), expusemos nosso entendimento que uma sessão de portas fechadas não pode ter validade, ou seja, que a reunião da última sexta deve ser anulada. Outra proposição foi uma modificação no regimento interno, não permitindo que aqueles que não assinaram o pedido de CPI participem da mesma, além da obrigatoriedade de que a presidência fique com o vereador solicitante.

É nesse sentido que encaminhamos pelo desenvolvimento da CPI dos ônibus. Seria importante que o Prefeito usasse sua influência para convencer os membros de sua base a entender essa nova situação e aceitar esse novo contexto político, pois não tenho dúvidas é a sua falta de habilidade na condução desse contexto político que vem agravando o quadro e impedindo o que realmente interessa à população: abrir a caixa preta da Fetranspor!