Apesar de a crise ter aumentado os subnutridos de 850 milhões para 1,02 bilhão no mundo, a Cúpula Mundial da Alimentação da FAO, que deveria ser a mais importante do mundo, não foi honrada por nenhum líder do G-8 – salvo Silvio Berlusconi, que não pôde evitá-la por ser seu anfitrião.
Os países ricos – após destinarem mais de 10 trilhões de dólares a resgatar seus bancos – recusaram-se a investir 44 bilhões anuais para ajudar a agricultura dos países pobres a crescer 70% até 2050 e dar conta do crescimento da população mundial para 9 bilhões. Descartada a meta de reduzir o número de famintos pela metade em 2015 e a zero até 2025, a reunião em Roma só gerou uma reforma burocrática do Conselho de Segurança Alimentar da ONU, que continua submetido às conveniências do Banco Mundial, que ainda em 2005 puniu o Malaui com retirada de financiamentos por subsidiar pequenos produtores.
Até por absoluta falta de concorrentes, Lula brilhou como astro principal. Propôs aos africanos transferência de tecnologia agrícola brasileira e teve programas como o Bolsa Família citados por Ban Ki-moon como exemplo de combate eficaz à fome no mundo. Reduziu a mortalidade infantil em 45%, a desnutrição infantil em 62% e retirou 20 milhões da pobreza, antecipando a meta de 2015 e transformando os excluídos em mercado de consumo, o que ajudou a minimizar o impacto da crise global no País.