Um fórum sobre saúde e a Guerra do Golfo, patrocinado pelo governo americano, evidencia a alta incidência do Distúrbio de Ansiedade Pós-Traumática (DAPT) entre os veteranos de guerra e a sua gravidade, mas o modelo pode ser facilmente utilizado para entendermos as mudanças das pessoas no ambiente de trabalho.
Segundo o fórum, entre 20% e 25% dos militares americanos que serviram nas últimas guerras recebem o diagnóstico de DAPT ou Doença da Guerra do Golfo, caracterizada por cansaço, alteração do sono, déficit de memória e dores articulares.
Para os médicos militares, a causa pode estar associada à exposição a fatores “tóxicos” durante as batalhas, porém, um estudo da Universidade Mount Sinai School of Medicine demonstra que até 65% dos veteranos, mesmo vinte anos após a guerra, apresentam sintomas sem caracterizar, contudo, o quadro completo da doença. De acordo com o estudo, os veteranos modificam todo o seu metabolismo e depois da guerra passam a responder exageradamente ao estresse.
Mais importante do que os tóxicos químicos, acredito que seja o estresse a maior causa dessa doença. É o “tóxico” psíquico que realmente a desencadeia. Fica claro, portanto, que as pessoas em ambientes profissionais com vários eventos estressantes durante um mesmo dia podem sofrer de algo parecido ou um tipo mais leve, porém, mais crônico do DAPT.
Nesses locais de trabalho, o estresse não é tão intenso quanto em uma batalha, mas é mais contínuo e as pessoas estão menos preparadas. Além disso, diferentemente da guerra em que um soldado serve em média entre um e dois anos, no trabalho o serviço dura quase a vida toda. Isso explica por que alguns que antes lidavam facilmente com problemas no trabalho após algum tempo passam a sofrer mais.
Enquanto os soldados na guerra desertam e no pós-guerra chegam ao suicídio, um funcionário fica desmotivado, larga o serviço ou pode até mesmo involuntariamente boicotá-lo.
Em Israel, a Universidade de Tel-Aviv avaliou 50 soldados que participaram de combates que apresentaram DAPT. Esses soldados, antes de entrar no serviço militar, tiveram seu cérebro analisado por ressonância magnética, para medir o conteú-do de água no tecido cerebral e o seu metabolismo. E responderam a uma série de questões que avaliavam o risco de o soldado desenvolver estresse ou depressão.
O estudo, conduzido por Talma Hendler, foi publicado na edição de agosto dos Proceedings of American Academy of Sciences, e descobriu que os soldados com maior chance de desenvolver DAPT e suicídio sofrem aumento mais rápido do metabolismo em áreas específicas do cérebro.
Os soldados em maior risco de desenvolver depressão ou DAPT, à medida que participavam de combates, começaram a ter áreas, na região da amígdala e do hipotálamo, um metabolismo cada vez maior, diferenciando-se de soldados menos propensos a essas doenças e voluntários que não participaram de combates. A amígdala e o hipotálamo são agrupamentos de neurônios envolvidos com os sentimentos mais primitivos e suas respostas localizadas profundamente no cérebro, além de serem peças-chave na memória.
Identificar um soldado em risco de sofrer DAPT antes de enviá-lo para a batalha é sem dúvida o modo mais inteligente de se salvar uma ou mais vidas, mas se exportado ao trabalho, esta avaliação prévia pode salvar o seu negócio.
:: Poligâmicos, atenção! Mais um estudo comprova que a monogamia, além de dar muito menos trabalho, é uma qualidade evolucionista. Diane Doran-Sheehy, da Universidade de Stony Brook (NY) estudou os hábitos de gorilas do Congo e notou que diferentemente dos gorilas da montanha que procuram fêmeas em período de fertilidade, os primeiros procuram as fêmeas que têm um ranking social mais alto, mesmo ela estando fora do período de fertilidade.
Publicado no American Journal of Primatology, o estudo concluiu que é uma estratégia feminina, e a fêmea faz isso para preservar a sua prole, pois ao manter relações sexuais com o macho, mesmo após estarem grávidas, evitam que o parceiro procure outra fêmea, engravidando-a também, e com um menor número de filhotes o grupo passa a protegê-los melhor.