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Internacional
Segundo biólogo, pesticida Roundup provoca abortos e nascimentos prematuros

20/03/2008 15:03:16

Gilles-Éric Séralini, professor de biologia molecular da Universidade de Caen, fala dos efeitos dos pesticidas e dos transgênicos. E diz ter sido pressionado a não continuar com os estudos sobre os produtos da Monsanto.

CartaCapital: O senhor realizou uma série de estudos para avaliar o impacto do Roundup na saúde. Por que o senhor decidiu estudar o produto da Monsanto?
Gilles-Éric Séralini: Meu trabalho é sobre os efeitos dos pesticidas na saúde e entre os pesticidas, o Roundup é o mais utilizado no mundo. Seus resíduos (ou os produtos concorrentes que lhe copiam) transformaram-se nos principais poluidores das águas dos rios e da superfície. Além disso, ele entra na composição da maioria das sementes transgênicas, como a da soja, e isso o transforma em um poluente alimentar corrente.

CC: Quais as principais conclusões de suas pesquisas com o Roundup?
GES: Casais de agricultores que utilizaram o produto na América do Norte apresentaram problemas de abortos naturais ou de nascimento de prematuros. Então, testamos o Roundup com diluições infinitesimais (de 100 mil vezes do produto vendido no comércio) sobre as células da placenta humana, embriões humanos e de células do cordão umbilical do recém-nascido. Em todos os casos, aparecem efeitos tóxicos em dois ou três dias. Em períodos mais curtos, a formação dos hormônios sexuais úteis para a formação do bebê foi reduzida.

CC: Quais os principais riscos do Roundup?
GES: Acredito que ele pode, talvez, ser um perturbador hormonal, mesmo que isso ainda não esteja totalmente provado no indivíduo adulto. E é muito mais tóxico do que imaginávamos. 

CC: O senhor enfrentou problemas durante suas pesquisas?
GES: As pesquisas estavam inscritas no programa do Instituto Nacional da Pesquisa Agronômica(Inra), agora não estão mais. A Monsanto diz que não contesta as nossas publicações (que estão em revistas científicas de alto nível), mas a interpretação.

CC: No livro, Marie-Monique Robin revela que nenhum dos seus alunos quis aparecer ao seu lado durante as filmagens. É verdade?
GES: Meus estudantes são orgulhosos de trabalhar ao meu lado. Mas se expor na mídia no momento em que eles ainda não têm um cargo definitivo lhes parecia arriscado. Principalmente por se tratar de assunto controverso, que incomoda os poderes públicos, os organismos de pesquisa. Muitos pesquisadores têm medo da polêmica em torno desses assuntos e se protegem.

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