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Berlusconismo ou fascismo?

15/08/2008 14:11:33

Redação CartaCapital

A revista Newsweek, outrora considerada progressista, afirma que nos primeiros cem dias de governo Silvio Berlusconi saiu-se bem. O semanário católico italiano, Famiglia Cristiana, de larga influência, divulga um relatório da revista francesa Esprit, e diz em editorial “esperamos que não volte um fascismo de roupa nova”.
Que fez Berlusconi em cem dias? Segundo a Newsweek, tirou o lixo das ruas de Nápoles, botou o Exército a patrulhar as cidades juntamente com os carabinieri, mandou recolher as impressões digitais das crianças rom, combateu os acampamentos nômades, criou novos entraves à entrada de imigrantes no país de grandes imigrações. 

Ah, sim, cobriu com piedoso véu o seio da opulenta senhora que Gian Battista Tiepolo pintou no século XVII na célebre tela A Verdade Desvendada pelo Tempo. O quadro domina, indiferente, uma das paredes do Palazzo Chigi, sede da presidência do Conselho. Trata-se, felizmente, de uma cópia. 

Tudo isso encanta o semanário nova-iorquino, bem como, supõe-se, as leis aprovadas pelo Parlamento, graças à ditadura da maioria, para acabar com as inúmeras pendengas judiciárias que envolvem o homem mais rico da Itália. Já Famiglia Cristiana rema na rota oposta, e não se deixa seduzir pelo véu estendido sobre o seio da Verdade. Pelo contrário, encara as medidas berlusconianas como demonstração de um risco possível, se não provável. 

Talvez as duas revistas extrapolem e exagerem. Diz, porém, Umberto Eco: “Não posso dizer que o clima do início dos anos 40 tenha voltado, mas começo a aspirar seu perfume”. E o Prêmio Nobel Dario Fo: “Como o fascismo, o berlusconismo é mal insidioso, difícil de estirpar”. E Eugenio Scalfari, tido como o maior jornalista italiano vivo: “Não será fascismo, mas é o preocupante começo de uma ditadura”.


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