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Política
FECHAR Sergio Lirio

Rumo à independência

28/08/2009 16:03:07

Sergio Lirio

Um óbvio simbolismo reveste o encontro entre o presidente Lula e seu colega francês Nicolas Sarkozy no próximo 7 de setembro. Para as Forças Armadas, e a Marinha em particular, a assinatura do acordo que vai permitir a construção do primeiro submarino nuclear brasileiro representa uma nova e definitiva independência, do ponto de vista estratégico. A oportunidade perseguida há mais de três décadas para controlar uma tecnologia dominada atualmente por apenas outras cinco nações do planeta. Para o resto da sociedade, será o início de uma caminhada que cedo ou tarde nos levará a um dilema: o Brasil pode aspirar a uma maior liderança no mundo sem montar um arsenal militar moderno e temível, o que inclui, ao menos, dominar o processo de fabricação de uma bomba atômica?

Não se trata de mania de grandeza nem de um debate trivial. O País tem uma tradição pacifista expressa de maneira rara. A Constituição brasileira é uma das únicas a registrar o compromisso do uso da tecnologia nuclear para fins pacíficos. Não só somos signatários do tratado de não proliferação de armamentos atômicos, o TNP, como figuramos entre os poucos Estados nacionais a incluir unidades militares entre as passíveis de fiscalização pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), num claro sinal de boa vontade cooperativa. Além disso, vistos o PIB, a renda e nossa reduzida, embora crescente, importância no cenário internacional, tratar do assunto pode soar como delírio ou patriotada de quem veste uniforme militar.

Mas eis o que diz um civil, o professor Eurico de Lima Figueiredo, coordenador do Núcleo de Estudos Estratégicos da Universidade Federal Fluminense e presidente da Associação Brasileira de Estratégia de Defesa: “Pessoalmente, acho que em cinco ou dez anos a sociedade terá de dizer se quer ou não uma bomba atômica, independentemente de sermos signatários do TNP. É um passo natural de nossa independência nuclear. E isso terá de ser debatido por civis, dentro de regras democráticas”. 


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(Crédito da foto: Ricardo Stuckert/PR)

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