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Leandro Fortes é jornalista, professor e escritor, autor dos livros Jornalismo Investigativo, Cayman: o dossiê do medo e Fragmentos da Grande Guerra, entre outros. Também mantém um blog chamado Brasília, eu vi 

Protógenes volta a mira

13/03/2009 12:03:55

Leandro Fortes

Um documento de 91 páginas repousa, desde o dia 9 de fevereiro, numa gaveta do gabinete do deputado Nelson Pellegrino (PT-BA), relator da Comissão Parlamentar das Escutas Telefônicas Clandestinas, a chamada CPI dos Grampos. Trata-se de um texto escrito pelo delegado Paulo Lacerda, ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), atual adido policial do Brasil em Lisboa. No texto, Lacerda faz um esclarecimento geral sobre as dúvidas recorrentes da CPI, mas, sobretudo, procura desmontar a tese da ilegalidade da participação de agentes na Abin na Operação Satiagraha, da Polícia Federal, comandada pelo delegado Protógenes Queiroz. Pellegrino jamais deu publicidade ao papel nem levou em consideração o conteúdo do documento. Ao contrário.

Com o beneplácito do parlamentar baiano, Lacerda e Queiroz vão ser obrigados, novamente, a depor na CPI dos Grampos, ressuscitada aos 45 minutos do segundo tempo em mais uma movimentação para lá de nebulosa com a participação dos atores veteranos nesta operação: a revista Veja, o presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, e o deputado Marcelo Itagiba (PMDB-RJ), presidente da comissão. Prestes a votar o relatório final, de autoria de Pellegrino, os parlamentares acertaram prorrogar os trabalhos por mais 60 dias após uma reportagem da revista da Abril que tinha por objetivo demonstrar ilegalidades cometidas por Queiroz durante a investigação do banqueiro Daniel Dantas.

Pellegrino, que já havia apresentado o relatório final da comissão, tinha constatado não haver provas para indiciar Queiroz e Lacerda nem a mínima materialidade capaz de sustentar um suposto grampo realizado no Supremo Tribunal Federal de uma angelical conversa travada entre o ministro Gilmar Mendes e o senador Demóstenes Torres (DEM-GO), sem áudio nem transcrição oficiais, confirmada apenas pela dupla. A última reportagem da Veja, que mais uma vez mistura alhos e bugalhos, aproveita para atacar o juiz Fausto De Sanctis (que nada tem a ver com a investigação do vazamento) e não acrescenta nenhuma prova cabal ou mesmo fatos novos das pretensas irregularidades da Satiagraha, foi o pretexto que faltava para Itagiba, com apoio das mais distintas forças políticas, manter acesa a disposição de indiciar a dupla, desejo manifestado pelo deputado faz muito tempo. Mais do que nunca, como diz o apresentador Faustão, a CPI das Escutas Clandestinas virou a CPI da Satiagraha. 

*Confira a íntegra desta reportagem na edição impressa

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