(matéria originalmente publicada na edição 348, de 29 de junho de 2005)
Desde o impeachment do presidente Fernando Collor de Mello, a imprensa brasileira segue um script na cobertura dos grandes escândalos da vida política. Os mais graduados repórteres de jornais, tevês, rádios e revistas saem em busca de motoristas e secretárias, como se nos bastidores de todas as maracutaias existisse sempre um Eriberto França, o chofer que ligou a Casa da Dinda ao esquema de PC Farias e tornou possível a cassação de Collor.
O velho script voltou a ser seguido na atual crise do mensalão. Há duas semanas, Fernanda Karina Somaggio, secretária do publicitário Marcos Valério de Souza entre abril de 2003 e janeiro de 2004, divide os holofotes com o deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) e o ex-diretor dos Correios Maurício Marinho. Na terça-feira 21, Fernanda Somaggio, que havia negado em depoimento à Polícia Federal parte das declarações publicadas pela revista IstoÉ Dinheiro seis dias antes, voltou atrás e confirmou o teor da entrevista concedida ao jornalista Leonardo Attuch.
Ao Jornal Nacional, a ex-secretária afirmou que Marcos Valério era um dos operadores do mensalão, a suposta mesada paga a parlamentares do PL e do PP em troca de apoio a projetos do governo federal. Valério, disse, entregava o dinheiro em malas a dois integrantes da direção do PT, o tesoureiro Delúbio Soares e o secretário-geral Sílvio Pereira. Para justificar o fato de ter desmentido, no depoimento à PF, parte do teor da entrevista publicada pela revista, Fernanda afirmou: “Fui ameaçada”.
Na quinta 23, foi a vez do ex-patrão recorrer ao mesmo JN. Valério reconheceu a amizade com Delúbio e Sílvio Pereira, mas negou que de sua agência saíssem malas de dinheiro destinadas a políticos. “Não opero para ninguém. Nunca operei.”
Há uma contradição entre a entrevista de Valério e o depoimento do ex-ministro José Dirceu, prestado no mesmo dia à comissão da Câmara que investiga o mensalão. O publicitário disse não manter contatos com Dirceu. Já o ex-chefe da Casa Civil disse o contrário. Questionado sobre se confirmaria relações com o dono da SMP&B, respondeu: “Confirmo, mas me coloco no direito de me posicionar sobre o assunto no momento em que eu considerar mais adequado”.
Esse tipo de contradição confere certa credibilidade à ex-funcionária de Valério, mas não a transforma, por enquanto, em uma testemunha capaz de abalar a República. Ao contrário de Eriberto França, um cidadão movido por sentimentos patrióticos, que prestou depoimentos contundentes e nunca desmentiu nenhuma das declarações, Fernanda Somaggio é uma “testemunha” cercada de mistérios. Não se trata aqui de desqualificar o testemunho. Como no caso de todas as denúncias surgidas até agora, CartaCapital considera que suas afirmações precisam ser investigadas a fundo, doa a quem doer. Mas há uma nebulosidade a turvar a compreensão de seu papel no episódio. Não seria surpresa se, ao longo das apurações, a CPI dos Correios e a Polícia Federal encontrassem elos entre a secretária e a maior disputa societária da história do capitalismo nativo – a briga entre o banqueiro Daniel Dantas, dono do Grupo Opportunity, e os fundos de pensão.
CartaCapital colheu novos detalhes da versão que Marcos Valério contou a amigos e colaboradores, em parte publicada na edição da revista Veja de 22 de junho. O publicitário disse a amigos ter provas de que o depoimento de Fernanda Somaggio foi forjado no sítio do executivo Carlos Rodenburg, no interior do Rio de Janeiro, por volta de agosto do ano passado. Rodenburg é ex-cunhado e sócio de Dantas. Segundo Valério, o Opportunity teria tentado cooptar outros funcionários da agência SMP&B, até encontrar a secretária, demitida alguns meses antes.
Em 2004, Valério foi procurado por Dantas. O banqueiro tentava uma aproximação com o governo federal e uma forma de neutralizar a resistência do secretário de Comunicação, Luiz Gushiken, aliado dos fundos de pensão na briga pelo controle de empresas de telefonia avaliadas em cerca de R$ 15 bilhões. Em troca, o dono do Opportunity entregou à DNA, uma das agências do publicitário, as contas da Telemig Celular e da Amazônia Celular. Na própria entrevista à Dinheiro está uma pista dessa relação. De acordo com a secretária, consta de sua agenda um encontro entre Valério, Delúbio e Carlos Rodenburg. A reunião teria ocorrido no Hotel Blue Tree, em Brasília.
Valério confidenciou a amigos que brigou com Dantas ainda em 2004, mas não deu detalhes dos motivos. “É muita sujeira”, teria dito. Para o publicitário, está nessa briga a origem dos depoimentos de Fernanda Somaggio.
A revista IstoÉ Dinheiro afirma ter entrevistado a secretária em dois momentos. A primeira vez, em 2 de setembro de 2004. As declarações de Fernanda não teriam sido publicadas à época, diz a revista, pois “era necessário avançar nas investigações”. Uma nova conversa teria ocorrido depois que o deputado Roberto Jefferson apontou Marcos Valério como um dos operadores do mensalão. Diante das acusações de Jefferson, decidiu-se publicar as denúncias da secretária.
Em busca de visibilidade à entrevista, a IstoÉ Dinheiro decidiu antecipar sua circulação. Em vez de no sábado 18, a revista chegou às bancas na quarta-feira 15. A partir da decisão, iniciou-se uma guerra quase silenciosa entre a Editora Três, dona da IstoÉ, e a Abril, que publica Veja.
Na terça 14, quando o mercado já sabia que a edição da Dinheiro seria antecipada, o site de Veja publica um texto intitulado “Quem é a secretária citada por Jefferson”. O site informa que Fernanda Somaggio está sendo processada por Valério por tentativa de extorsão. O processo corre na 6ª Vara Criminal de Belo Horizonte. Em depoimento à Justiça, anexado ao processo, Adriana Fantini, funcionária da SMP&B, afirmou que Fernanda Somaggio teria dito que um jornalista lhe havia oferecido dinheiro em troca de informações sobre o publicitário e suas empresas. Em um dos parágrafos, o redator anota: “A revista IstoÉ Dinheiro publicará na edição desta semana entrevista com Fernanda, em que ela faz acusações ao ex-chefe. A entrevista foi feita em novembro (sic) do ano passado. É um mistério o motivo que levou a revista a guardar a reportagem por sete meses”.
No dia seguinte, a Polícia Federal desencadeou a Operação Cevada e prendeu, por sonegação, diretores da Cervejaria Schincariol. Em grampos autorizados pela Justiça, a PF flagrou conversas entre o publicitário Luís Lara, sócio da agência Lew,Lara e o dono da empresa, Adriano Schincariol. Nos diálogos, Lara diz ao industrial que poderia conseguir uma capa favorável à companhia se ele desse R$ 1 milhão para auxiliar o editor Domingo Alzugaray a cobrir graves problemas financeiros.
Em 23 de fevereiro deste ano, a IstoÉ Dinheiro publicou uma reportagem sobre a cervejaria intitulada “A Virada da Schin”. Os diálogos entre Lara e Schincariol foram publicados em primeira mão pelo jornal Valor Econômico. O publicitário pediu desculpas a Alzugaray e disse ter se excedido na conversa. Em nota, a Editora Três afirmou que as áreas comerciais e editoriais de suas publicações são independentes e que não vende reportagens em troca de anúncios. Acusou de hipócritas as empresas de mídia que publicaram os grampos da PF.
Na quinta 16, Carlos Alzugaray, um dos diretores da Três, procurou Thomaz Souto Côrrea, vice-presidente do Conselho Editorial da Abril. Caco, como é conhecido, queria saber se Veja preparava uma reportagem sobre as supostas influências de empresários na linha editorial da revista IstoÉ Dinheiro, entre eles Schincariol e Daniel Dantas. E ameaçou: faria uma edição inteira da IstoÉ, a principal publicação da Três, com acusações contra a Abril. A redação da IstoÉ foi mobilizada, caso fosse necessário mudar o conteúdo da edição e produzir uma retaliação à concorrente. O esquema de plantão foi desmontado na sexta, depois de Caco ser informado de que não havia nenhuma reportagem sobre sua editora sendo produzida na revista dos Civita.
Veja não produzia, ao menos na última semana, uma reportagem abrangente sobre a IstoÉ Dinheiro, mas seguia os passos capazes de explicar o surgimento de Fernanda Somaggio, mesmo caminho traçado por CartaCapital. Um caminho que une Marcos Valério, Delúbio Soares, Sílvio Pereira, o advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, e Daniel Dantas de um mesmo lado.
Valério atuaria para convencer Delúbio Soares e Sílvio Pereira de que Dantas estava sendo perseguido por Gushiken, os fundos de pensão e a Polícia Federal. Kakay tentaria o mesmo junto ao amigo e ex-ministro José Dirceu. Além das contas de publicidade da SMP&B e da DNA, o publicitário receberia uma quantia pelo auxílio a Dantas. Valério não revelou o valor a amigos. Já o advogado Almeida Castro teria recebido uma bolada. A representantes de um dos sócios nas empresas de telefonia, Dantas informou: “Tive de pagar 10 milhões para o Kakay resolver meu problema”. Segundo esse interlocutor, o banqueiro não especificou se o pagamento seria em reais ou dólares.
O dono do Opportunity é dado a exibir influência que não possui e a buscar formas, às claras ou nem sempre, de se aproximar de figuras importantes da República. CartaCapital noticiou em março que executivos da Brasil Telecom, a mando de Dantas, tentaram se associar a uma empresa de tecnologia de Fábio da Silva, um dos filhos do presidente Lula. Avisado por uma auditoria, Fábio abortou o negócio.
No início de 2005, o Opportunity contratou o ex-escritório do ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, para processar o diretor de redação de CartaCapital, Mino Carta. O ministro afirma ter vendido sua participação, ao ir para o ministério, e informou não acompanhar mais os passos dos ex-sócios. No início do ano, Dantas perdeu um processo civil que movia contra Mino. Na área criminal, o jornalista é defendido pelo escritório do advogado José Roberto Leal.
As relações com Valério e Kakay não podem ser creditadas na conta das bravatas de Dantas. Eles intercederam a favor do banqueiro. A pressão, ao que parece, não funcionou. Em junho de 2004, o jornal Folha de S.Paulo trouxe à tona as investigações ilegais conduzidas por funcionários da Kroll a mando de Dantas e da presidente da Brasil Telecom (BrT), Carla Cico. A divulgação apressou as apurações da Polícia Federal, na espreita dos espiões desde 2002.
Em outubro de 2004, a PF desencadeou a Operação Chacal e apreendeu documentos no Banco Opportunity, na sede da BrT e nas residências de Dantas e Cico. De lá para cá, a vida do banqueiro se complicou. Até então tratado como um empresário astuto e polêmico, Dantas passou a carregar a imagem de criminoso. Em maio deste ano, a Justiça Federal o indiciou por formação de quadrilha. Sabe-se que os delegados federais responsáveis pela apuração sofreram pressão, mas tiveram carta-branca do diretor-geral da PF, Paulo Lacerda, para continuar o inquérito. Kakay assumiu publicamente a defesa de Dantas no processo criminal.
No campo empresarial, a margem de manobra do Opportunity foi reduzida. Os fundos de pensão endureceram o jogo e se aliaram ao Citibank. As ações judiciais contra Dantas se multiplicaram. Nem aí os amigos influentes encontraram uma solução satisfatória. A tentativa de derrubar Sérgio Rosa, presidente da Previ, a caixa de previdência dos funcionários do Banco do Brasil, deu com os burros n’água.
Segundo apurou CartaCapital, no fim de 2004, assessores da Casa Civil fizeram pressão para que Rosa, aliado de Gushiken e pedra no sapato do Opportunity, deixasse a presidência da fundação. Os ataques também vieram pela imprensa. Dossiês com supostos desmandos de Rosa na Previ começaram a circular. A principal fonte das denúncias chama-se Valmir Camilo, da Associação Nacional dos Funcionários do Banco do Brasil (Anabb). Segundo Camilo, o presidente da Previ “maquiou os balanços” da fundação e teria montado um esquema com militantes do PT nas empresas onde o fundo tem participações acionárias. Camilo sumiu do noticiário e Rosa, apesar das pressões, manteve-se no posto. A saída de Dirceu da Casa Civil, em tese, reforçaria a posição de Rosa.
Valério acredita que Fernanda Somaggio seria usada para chantageá-lo. Segundo a Veja, o publicitário soube da primeira entrevista, não publicada, em setembro do ano passado, e teria “convencido” a IstoÉ Dinheiro de que os relatos eram inconsistentes.
CartaCapital apurou que Valério foi informado da entrevista por Domingo Alzugaray. O publicitário e o editor encontraram-se na sede da Três, em São Paulo. Presente o jornalista Gilberto Mansur, amigo do publicitário. O sócio da SMP&B, que ainda não havia emergido dos bastidores do mundo político, quis saber o motivo do interesse da revista no relato da secretária. “Você é um homem poderoso”, teria afirmado Alzugaray.
A versão do publicitário vai mais longe. A entrevista não foi publicada, mas o conteúdo chegou ao ouvido do ex-governador Anthony Garotinho e, por extensão, ao conhecimento do deputado Roberto Jefferson. Pela tese de Valério, Jefferson sabia da existência de Fernanda Somaggio e lançou a história para desviar o foco das investigações dos Correios. O interesse de Garotinho seria enfraquecer Lula. A Veja, o ex-governador respondeu: “Esse Marcos Valério está delirando”.
O ocaso e o ressurgimento de Fernanda Somaggio em menos de uma semana não é menos intrigante. Ela havia submergido, dois dias depois de estrear no noticiário nacional, e rumava para o total esquecimento. Em parte, pelo fato de ter modificado seus depoimentos em mais de uma ocasião. Para Valério, a reportagem de Veja que esboça a possível interferência de Dantas no processo teria levado a uma reação do Opportunity.
Em menos de uma semana, Fernanda Somaggio reapareceu confiante e com novo advogado, Rui Carlos Pimenta, um dos mais caros da capital mineira. Pimenta é famoso por atuar em casos espinhosos. Defende, por exemplo, a família da modelo Cristiana Ferreira, encontrada morta em um flat de luxo em Belo Horizonte em agosto de 2000. Suspeita-se que a modelo tenha sido assassinada. Cristiana manteria relações com políticos e empresários importantes do estado. Foram chamados a depor o ministro do Turismo, Walfrido dos Mares Guia, e o ex-governador Newton Cardoso. A investigação deixou constrangida porção considerável do high society mineiro.
Advogados de Belo Horizonte comentam que Pimenta teria sido indicado por José Roberto Battochio, defensor do jornalista Leonardo Attuch, autor da entrevista com a secretária. A CartaCapital, Battochio, ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), disse que as especulações são infundadas. “Nunca vi, falei ou estive com esse advogado.” Ressalte-se que não haveria nenhum problema se a Editora Três contratasse um criminalista para defender Fernanda Somaggio, um elo fraco, que, sem proteção adequada, poderia se intimidar. No início dos anos 90, IstoÉ, dirigida por Mino Carta, bancou a defesa do motorista Eriberto França. O apoio mostrou-se benéfico ao País. Poder-se-ia dizer o mesmo no caso de agora?
Ao contrário dos primeiros defensores de Fernanda Somaggio, Pimenta tem desenvoltura no trato com a imprensa. Coube a ele intermediar a entrevista exclusiva ao Jornal Nacional, na terça 21, e a coletiva ao resto da imprensa no dia seguinte. Fernanda Somaggio reafirmou tudo o que havia dito à Dinheiro e acrescentou novos detalhes. Também disse sofrer ameaças e pediu proteção policial.
O trabalho de Pimenta junto à imprensa continua. O advogado tem procurado repórteres de tevês e jornais de grande circulação, oferecendo novas declarações “bombásticas” de Fernanda. No pacote, denúncias de lavagem de dinheiro e remessa ilegal ao exterior. Esperam-se as próximas edições.
O criminalista, por fim, conversou com jornalistas que, a seu ver, prejudicaram as declarações de Fernanda ao lembrar que Valério a processa por extorsão desde o ano passado. A mais de um repórter, repetiu a seguinte frase: “Você quer derrubar o presidente ou a minha cliente?” CartaCapital deixou recados no escritório de Pimenta, mas o advogado não respondeu aos chamados.
Uma série de conexões parece dar algum sentido à versão de Valério, sem que, repita-se, isso o inocente ou torne as declarações de Fernanda Somaggio sem validade. O publicitário foi contratado por Dantas para intermediar relações no PT e no governo. O ex-chefe, diz a secretária, reuniu-se com Delúbio e Rodenburg em Brasília. Fernanda Somaggio decidiu procurar a revista IstoÉ Dinheiro e, especificamente, o jornalista Leonardo Attuch para revelar o esquema de desvio de dinheiro. Attuch está no centro de uma discussão a envolver a Polícia Federal, Daniel Dantas, a Kroll e a revista Veja.
No relatório final da Operação Chacal, a PF dedica cerca de cinco páginas à Dinheiro e a Attuch. Para os federais, a publicação e o repórter foram utilizados “para lançar matérias convergentes com o interesse do grupo criminoso (leia-se Daniel Dantas, Carla Cico e funcionários da Kroll)”. Os delegados que cuidam do caso chegaram a pedir a quebra do sigilo telefônico do jornalista. O pedido foi negado pela Justiça.
Entre as reportagens citadas no relatório está “O Diário Secreto da Parmalat”, que ocupou a capa da edição de 12 de maio de 2004. Em conversa interceptada pela polícia, o espião Tiago Verdial diz à mãe que o texto era obra da equipe de arapongas contratada por Dantas. “A matéria todinha foi feita pela gente”, afirmou, orgulhoso.
Na edição de 23 de fevereiro deste ano, CartaCapital publicou trechos do relatório da PF, entre eles o diálogo de Verdial com a sua mãe. Procurada à época, a direção da IstoÉ Dinheiro não quis comentar as declarações do espião. Na edição de 18 de maio, três meses depois, Veja publicou trechos semelhantes do trabalho policial. Sob o título “Reportagens sob suspeita”, a semanal de maior circulação do País citou o nome de Attuch cinco vezes.
O texto de Veja encheu o repórter de indignação. Attuch preparou um texto no qual se diz perseguido pela polícia apenas por praticar “bom jornalismo”, indaga quais seriam os interesses da concorrente e se compara a Vladimir Herzog, torturado e morto nas dependências do DOI-Codi de São Paulo em 1975. O texto foi distribuído a outros jornalistas e assessores de imprensa (a íntegra pode ser encontrada nos sites www. comuniquese.com.br e www.observatoriodaimprensa.com.br).
Na edição de 15 de junho de Veja, uma nota na coluna “Radar” manteve a rusga no ar. Intitulada “Debate Público”, a nota diz: “De ATT para Mr. DD: ‘Está confirmada a entrega da encomenda desse final de semana’. Esta frase faz parte de uma série de e-mails em mãos da Polícia Federal com diálogos interessantes. É um prato feito”.
Attuch voltou ao site Observatório da Imprensa para se defender, apesar de não ser evidente que a nota se tratava dele. “Na defesa da sua honra”, desafiou o editor do Radar, Lauro Jardim, para um debate público. Queria saber, entre outros pontos, se ATT eram as iniciais de seu nome.
CartaCapital informa: ATT trata-se de Attuch. DD, de Daniel Dantas. A mensagem faz parte de um pacote de e-mails em poder da PF e que circulam desde abril por algumas redações. Acima, reproduz-se o conteúdo completo da correspondência publicada em parte na coluna Radar. Boa parte das mensagens mostra um cidadão que se identifica como Leonardo Attuch, acertando com um certo Daniel Dantas reportagens a serem publicadas na IstoÉ Dinheiro.