A previsão para os próximos anos é de um mercado aquecido para a soja brasileira, estimulado, entre outros fatores, pela demanda internacional por biocombustíveis. Estima-se que ainda em 2008 o País ultrapassará os EUA como maior exportador do grão no mundo e, em mais seis anos, terá a maior área plantada do planeta. É boa hora, portanto, para analisar o impacto ambiental e social dessas lavouras, para que o Brasil consiga minimizar os danos e potencializar os ganhos no porvir.
Na quinta-feira 24, a ONG Repórter Brasil divulgou o resultado de uma varredura por 19 mil quilômetros, em dez estados brasileiros, para avaliar esses impactos. O relatório Brasil dos Agrocombustíveis, que nesta edição trata de soja e mamona, foi apresentado na Mesa-Redonda pela Soja Responsável, realizada em Buenos Aires com a presença de produtores brasileiros e latino-americanos, multinacionais como a Unilever e o Banco ABN Amro, além de diversas ONGs.
Em linhas gerais, mostra que, ao lado da geração de riqueza para produtores e de divisas com exportações, a expansão da soja no Brasil (e no Paraguai) intensifica impactos como desmatamento, contaminação de rios, concentração de terra e exploração de trabalhadores, principalmente no Cerrado e na Amazônia. Também detalha casos específicos, como a presença de multinacionais como a Bunge e a Cargill em áreas cujo impacto ambiental é questionado, e as regiões que sofrem grilagem de terras.
“O relatório não é radical, é muito propositivo”, explica Leonardo Sakamoto, coordenador da Repórter Brasil. “É a primeira vez que um estudo é feito pensando nas perspectivas futuras, que atualmente são ruins”, diz. Os organizadores esperam que o trabalho sirva para identificar as más condutas e ajudar a revertê-las. Entre as recomendações apresentadas, está a do corte de financiamentos a empresários que provoquem esses impactos negativos.