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Sociedade
FECHAR Ana Luísa Vieira

Condicionantes ambientais

18/06/2009 16:19:41

Ana Luísa Vieira

Os compromissos das cadeias produtivas para a sustentabilidade de biomas: a experiência da conexão São Paulo-Amazônia. A despeito do longo título da plenária que abriu a Conferência Internacional Ethos 2009 desta quarta-feira, o que a plateia formada por quase 800 pessoas ouviu foram alertas e ideias pontuais sobre a responsabilidade de cada setor em relação à preservação.

Com mediação de Helio Mattar, presidente do Instituto Akatu pelo Consumo Consciente, o debate contou com a presença de Samyra Crespo, secretária institucional do Ministério do Meio Ambiente, Marcio Santilli, filósofo e sócio-fundador do Instituto Sócioambiental, e Luiz Fernando Furlan, ex-ministro do Desenvolvimento, Presidente do Conselho de Administração da Sadia e da Fundação Amazonas Sustentável.



Um homem, dois chapéus
Empresário e representante do terceiro setor, Furlan comentou o “desafio de carregar dois chapéus diferentes”. E, durante a explanação, comentou momentos curiosos de ambas as atividades. De um lado, citou o exemplo da recém-inaugurada fábrica da Sadia em Vitória de Santo Antão, no Pernambuco. “Lá, 70% da água utilizada é proveniente da chuva, reciclada e devolvida ao meio ambiente”.

Do outro, comentou a atuação da Fundação Amazonas Sustentável, criada há dois anos com o objetivo de captar recursos para investimentos em projetos de preservação. Para basear o trabalho, Furlan apresentou uma série de números retirados do instituto de pesquisas Imazon, entre eles os destinos da produção madereira na Amazônia: 36% é exportada, 64% é consumido no mercado interno. “Aí é preciso ver também a mudança de hábito. A construção civil, que usava madeira como escora, com um efeito quase descartável, mudou para estruturas metálicas. A penalização do sistema produtivo, então, depende muito mais do consumidor e da cadeira brasileira do que de outros países”.

Para o empresário, o governo deve criar uma linha de financiamento que premie a economia eco-responsável, que olhe áreas que rendam empregos permanentes, da embalagem à conservação. “Os consumidores premiam esse tipo de iniciativa”, disse.

Quanto à conexão São Paulo-Amazônia, Furlan é otimista. “Parece coisa de novela dizer que os opostos se atraem. De um lado, temos a maior reserva de recursos. Do outro, o maior mercado consumidor. É preciso haver diálogo e lembrar que os desafios entre os dois são complementares”.


Pela boa água do Xingu
Marcio Santili, do Instituto SocioAmbiental, optou por trocar sua fala pela exibição do vídeo Y Ikatu Xingu (Pela água boa do Xingu).

“Quando estivemos no Congresso Ethos, apresentamos o momento inicial do projeto, o pacto pacífico entre diferentes atores sociais. Hoje temos resultado dessa troca de experiências”, afirmou.

Iniciada em 2004, trata-se de uma “campanha de responsabilidade socioambiental compartilhada”, formada por índios, pesquisadores, moradores e ONGs, com foco na proteção e recuperação das nascentes de matas ciliares do estado do Mato Grosso.

Ministério representado
Secretária institucional do Ministério do Meio Ambiente, Samyra Crespo aproveitou a metáfora de Furlan e se apresentou como uma mulher com três chapéus: pesquisadora, representante do terceiro setor e agora, integrante do governo.

“Visitei a Amazônia apenas quando tinha 40 anos e, enquanto sobrevoava, notei que não era nada daquilo que eu imaginava. Fiquei impressionada com a água. Ao contrário do que alguns pensam, a Amazônia não é um vazio geográfico, é um conjunto de pequenos núcleos urbanos que crescem. E não há só biomas a serem preservados, os amazônicos acreditam no potencial mineral e agrícola a ser explorado. Por isso é preciso encontrar um ponto de equilíbrio”.

Samyra acredita que é preciso ter uma visão menos do sul, e mais realista dos povos que ali vivem. Entre os feitos da pasta, lembrou, entre outras, da Operação Arcoverde, acompanhada pelos ministérios da Agricultura e Integração Nacional, que lida com estados e municípios que desmatam. Sobra a agenda negativa (lidar com operações de crimes ambientais), Samyra arrancou risos da plateia ao dizer que internamente o ministro Carlos Minc é chamado de Indiana Minc, por ir aos locais onde os crimes ambientais estão acontecendo. “Há uma cobrança muito grande. Precisamos apoiar os municípios que passam do ilegal para o legal", atestou.


Condicionantes ambientais
No momento em que o questionamento das novas regras ambientais está por toda a parte, o mediador, logo ao inicio do debate, anunciou que a polêmica repercussão em torno da MP 458, por ora, não seria abordada ali. O que não significa que o Congresso e Instituto Ethos, não marcarão suas posições no encerramento do evento.

Denominada “Convocação para Ato Público – Desmonte da Legislação Ambiental Brasileira” (clique acima para ler o documento), a discussão, aberta ao público, será concentrada na na próxima quinta-feira, 18 de julho, das 14h30 às 15h, no Hotel Transamérica, em São Paulo.

“Queremos mobilizar a sociedade para protestar veementemente contra a MP 458, que trata da ocupação de terras da União, no âmbito da Amazônia Legal”, aponta o documento, que apóia abertamente a Carta Aberta da senadora Marina Silva ao presidente da República. 

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