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Sociedade
FECHAR Rodrigo Martins

No reino dos agrotóxicos

15/05/2009 12:10:18

Rodrigo Martins

Em 2008, o Brasil assumiu a liderança no consumo mundial de agrotóxicos. As vendas de defensivos agrícolas totalizaram 733,9 milhões de toneladas e movimentaram cerca de 7,1 bilhões de dólares, segundo o Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para a Defesa Agrícola (Sindag). O País superou a marca dos Estados Unidos, maior produtor de alimentos do mundo, que consumiu 646 milhões de toneladas de pesticidas no mesmo período, um mercado de 6 bilhões de dólares.

Apesar do novo recorde, as indústrias do setor não fazem festa. Estão preocupadas com o cerco armado pelas autoridades de vigilância sanitária, engajadas na luta para disciplinar o uso de agrotóxicos, a começar pelo banimento de substâncias que trazem riscos à saúde e há tempos estão proibidas nas lavouras da maioria dos países desenvolvidos.

O primeiro alvo da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) é a cihexatina, princípio ativo utilizado na fabricação de sete agrotóxicos, empregados principalmente na citricultura. Estudos realizados em cobaias comprovaram que a substância causa danos no sistema reprodutivo e pode provocar malformações fetais, como a hidrocefalia. “A proibição já está aprovada, só resta acertar com representantes do setor e do Ministério da Agricultura o prazo para a medida entrar em vigor”, afirma Letícia Rodrigues, gerente de avaliação toxicológica da Anvisa.

A entidade havia recomendado o banimento do produto em julho de 2008, mas a suspensão foi anulada graças a uma série de ações movidas por entidades e indústrias de defensivos agrícolas. As liminares judiciais obtidas à época impediram a Anvisa de reavaliar outras treze substâncias, usadas na fabricação de mais de 200 pesticidas, a maior parte deles proibida nos Estados Unidos, na China e na Comunidade Européia.

A Anvisa conseguiu reverter as decisões judiciais para a reavaliação de todas as substâncias, à exceção do acefato, que teve o processo de análise barrado por determinação da Justiça. Todas as demais reavaliações foram retomadas e estão previstas para ser concluídas até junho de 2009. “Nem todos os princípios ativos serão proibidos. Os estudos é que vão indicar a necessidade de impor ou não restrições”, completa a gerente da Anvisa. 

*Confira a íntegra desta reportagem na edição impressa

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