A idéia conservadora de que os direitos humanos protegem apenas bandidos e não servem lá para muita coisa entrou em descrédito no Brasil. Aos poucos, a população mostra-se mais aberta às políticas públicas de promoção da igualdade, de redução das disparidades de gênero e raça e das estratégias de combate à violência não voltadas exclusivamente à intensificação do aparato repressivo, mas também às ações de prevenção e desenvolvimento social. A tendência é indicada por uma ampla e inédita pesquisa de opinião, que acaba de ser divulgada pela Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República.
O estudo ouviu 2.011 brasileiros, em 153 municípios de 25 unidades da federação, e revela avanços inegáveis. Apenas 15% dos entrevistados encaram os direitos humanos de forma negativa, como um privilégio exclusivo de infratores ou grupos sociais específicos. Os dados também apontam para uma inclinação de a população apoiar políticas afirmativas, como a reserva de vagas para negros em universidades (apoiada por 58% dos entrevistados) e a ampliação de direitos aos homossexuais, a exemplo da permissão para casais do mesmo sexo adotarem filhos, medida com 48% de aprovação e 36% de rejeição.
Apesar das mudanças, os brasileiros ainda demonstram baixa tolerância às manifestações das minorias, aceitando que estas defendam as suas posições, desde que não as divulguem (postura defendida por 45% dos entrevistados) e falta de apreço aos direitos de cidadãos em conflito com a lei. Apenas 30% da população acredita que os criminosos devam ter os direitos resguardados completamente. Para 40%, é admissível que eles sejam, em alguma medida, desconsiderados.
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