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O bom ladrão

19/09/2008 14:46:23

Redação CartaCapital

“É o seguinte. Vou ser bem sincero pra ti. Eu roubei um carro. Agora. Eu peguei o carro e tinha uma criança dentro. Eu não vi, entendeu? Então tu manda uma viatura lá e manda o filho da p* do pai dele pegar ele e levar pra casa. Um piazinho, tá?” Assim começou o rápido diálogo entre um ladrão e um policial na delegacia da Brigada Militar (PM) de Passo Fundo, no interior gaúcho, na noite da quarta-feira 17. O policial quis saber qual era o carro: “É um Monza. Tem um piazinho dormindo no banco de trás. E diz pro filho da p* que, da próxima vez que eu pegar aquele auto e tiver um piá lá, eu vou matar ele”.

Até a noite da quinta-feira 18, não se sabia a identidade do ladrão, que, sensibilizado, não apenas desistiu do furto como passou um sermão, ou melhor, uma ameaça, nos responsáveis pela criança. Ele usou um telefone público para discar 190 e falar com a polícia. A ação comoveu a delegada que investiga o caso, Claudia Crusius. À Folha de S.Paulo, ela disse que não pedirá a prisão porque houve bom senso. “Ele, entre aspas, perdeu o trabalho dele, que era o veículo furtado, para poder proteger essa criança.”

Alheio a todos os males, o garoto de 5 anos ainda dormia no banco traseiro do carro quando policiais chegaram. Eles o acordaram e seguiram até o bar e restaurante onde se encontravam a mãe, de 22 anos, e o padrasto, de 46 anos. Eles não tinham dado falta do menino, e disseram que ele ficou pouco tempo no carro, que tinha os vidros abertos. Ambos podem ser indiciados por abandono de incapaz. Na pequena Passo Fundo, o grande mistério é a identidade do bom ladrão.

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