De tempos em tempos, as vizinhas cidades de Barueri e Carapicuíba, ambas na região metropolitana de São Paulo, estranham-se. Separadas por uma lagoa, hoje poluída, as respectivas autoridades municipais entram em choque em torno das atribuições que lhes cabem. A tendência natural é uma tentar empurrar o problema para a outra, apesar de muitas vezes a origem da dor de cabeça residir longe dali, em um ou vários dos 39 municípios que compõem a maior metrópole do País.
A proximidade física não se reflete em uma proximidade política ou administrativa, o que reforça as disparidades sociais existentes entre as duas cidades, apesar da evidente influência recíproca. Recente pesquisa da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan) elegeu Barueri a quarta cidade do Brasil em qualidade de vida, muito acima da “vizinha pobre”, 243º lugar no ranking. Mas é difícil imaginar que a qualidade de vida de uma cidade possa ser tão boa estando umbilicalmente ligada a outra com índices deploráveis.
Disputas dessa natureza não são uma prerrogativa paulista. Ao longo dos próximos meses, nas dezenas de programas eleitorais em tevê e rádio espalhados pelo País, candidatos a prefeito vão gastar recursos e energia para se apresentar como os “salvadores da municipalidade”. Nas capitais, haverá também uma evidente disposição para futuros vôos federais.
Com raríssimas exceções, as plataformas eleitorais deixarão de lado um detalhe decisivo: sem uma política coordenada em esfera regional, as áreas metropolitanas, onde se concentram os mais dramáticos problemas sociais e ambientais do País, estarão fadadas a repetir os fracassos que marcam a longa agonia das últimas décadas. O combate à poluição, a solução dos engarrafamentos monstruosos e cada vez maiores e os problemas de moradia e violência, é consenso entre os especialistas, só serão de fato solucionados com ações coordenadas.
Nas seis principais aglomerações populacionais – São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Recife e Salvador – vivem 48 milhões de brasileiros, do total de 145 milhões de moradores das cidades, e produzem-se 40% do Produto Interno Bruto (PIB).
Ao contrário do que certos economistas e sociólogos afirmam, as metrópoles não estão perdendo poder econômico relativo nem se desinflando.
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