A edição de 2008 do Festival Internacional de Curtas-Metragens de São Paulo, em cartaz a partir da quinta-feira 21, promove a reflexão política e repensa o conflito, ou a falta dele, entre gerações. O festival aproveita o aniversário de 40 anos do simbólico ano de 1968 e exibe 381 filmes, de 54 países, sob a temática Política Viva. A idéia é relacionar filmes antigos e produções recentes que tratem de militância e liberdade de expressão.
“Algumas mostras com esse tema estavam muito presas ao passado. Nossa missão é fazer uma ponte com o presente, puxando ligações escondidas ou esquecidas entre as épocas”, diz Rica Saito, um dos participantes do coletivo Submarino Vermelho, que, depois de um convite da diretora do festival, Zita Carvalhosa, assume a curadoria da mostra.
O coletivo, formado por um jovem grupo de estudantes de cinema e artes plásticas, optou por separar a mostra em seis programas, que serão exibidos em três salas da capital paulista. Vamos Falar de Brasil: Carlos Marighela (1970), do francês Chris Marker, Maranhão 66 (1966), de Glauber Rocha, e o censurado Liberdade de Imprensa (1967), de João Batista de Andrade, são alguns dos destaques, ao lado de produções como Quinze Centavos, de Marcelo Pedroso (2005), e Construção (2006), de Maria Gutierrez.
“O garimpo foi intenso. Mas buscamos reunir várias temáticas, desde aquelas que abordavam os movimentos de ocupação até os que tratam de liberdade de imprensa”, diz Saito, que também é diretor do curta Procura-se, uma mescla de ficção e documentário que, por meio do músico Mario Rocha, retrata o mito em torno da geração dos anos 60.
A ordem de exibição dos curtas-metragens também foi bem estudada pelos curadores. “Por serem curtas, todos os filmes dialogam entre si. Talvez não funcionasse assim se fossem longas. Mas queremos que a mensagem vá além das telas”, diz Tom Ribeiro, também integrante do Submarino Vermelho. Para isso, o grupo organizou intervenções, performances e debates complementares à semana do festival.
Entre os programas paralelos, a mostra latino-americana reúne 30 títulos, de onze países. Gustavo Taretto, cineasta argentino, é o homenageado com a retrospectiva Cinema e Espaço Urbano, que apresentará quatro curtas. Ele participará também de workshop na Fundação Armando Álvares Penteado (Faap).
Na Mostra Brasil, produções de grifes, como Rummikub, de Jorge Furtado (de O Homem Que Copiava), e Blackout, de Daniel Rezende (montador de Cidade de Deus), dividem espaço com curtas estudantis, selecionados entre filmes vindos de universidades de todo o Brasil. O festival fica em cartaz em São Paulo até o dia 29 de agosto e segue para o Rio, Recife, Jundiaí e São Carlos. A programação completa pode ser vista no site http://www.kinoforum.org.br/.