Transbordante de entusiasmo e juventude, a banda paulistana Bazar Pamplona se entrega a suaves provocações no CD de estréia, À Espera das Nuvens Carregadas (Monga Records/Tratore). A primeira cutucada aparece na contracapa, que lista apenas três faixas (ou melhor, “quase-canções”). As outras, “bônus”, nada menos que 15, são descritas como “canções-pílulas”. Pode parecer bobeira, mas há perguntas subjacentes à contracapa. Na era dos downloads, quem se interessa por um CD com 18 músicas? Por que alguém ainda consumiria esse treco?
O conteúdo, entre rock e MPB, balada e pauleira, dá continuidade à rota de provocações, agora na forma de angústia. Uma idéia recorrente atravessa o CD, em versos como eu sou surdo e canto, eu faço tudo pra alguém me escutar, ou ninguém ouviu falar de mim... A vontade é de se comunicar, mas o tema central é a incomunicabilidade, hoje inerente à música brasileira e, mais ainda, à indústria musical. Provocação a mais surge em O Rei Não Sabe Brincar, que remete a Roberto Carlos e a um punhado de outros “reis”, quando canta um rei ranzinza que logo manda enforcar.
CD The B-52’s, uma das bandas mais divertidas do pop norte-americano dos anos 80, volta à atividade fonográfica com Funplex (EMI), após um hiato de 16 anos. A marca The B-52’s significou, a partir de 1979, a chegada ao mercado de massa de um imaginário “alternativo” fundado em humor, espírito kitsch, perucas enormes, lagostas roqueiras e outras maluquices frugais, embora inteligentes e espirituosas.
Do lado mais maldito, traziam a influência musical de dona Yoko Ono, que, somente pela intermediação dos B-52’s, conseguiu penetrar em rádios e paradas de sucessos. Retomar a história passada não parece tarefa simples, ainda mais sob os compromissos de humor, irreverência e jovialidade do quarteto. Funplex é correto e maduro. O tempo não pára.