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A curva que assusta

23/10/2009 16:00:58

Mauricio Dias

Há uma curva no caminho da pré-candidatura do tucano José Serra. Ela talvez seja um dos maiores fatores da imobilização política do governador paulista em relação à eleição presidencial de 2010, que tem levado seus aliados a certo desespero. 

A curva mostra o comportamento longitudinal do eleitor em relação às candidaturas de José Serra e Dilma Rousseff. 

“Esse comportamento em relação ao governador Serra apresenta uma base de 35% e, ao longo do tempo, sofreu uma variação positiva até o início de 2009. A partir daí, há uma tendência constante de queda”, aponta Marcus Figueiredo, responsável pelo trabalho. 

Em junho de 2008, Serra alcançou 38,2% pela Sensus. Chegou a 42,8% no fim de janeiro de 2009 em sondagem de opinião feita pelo mesmo instituto. 

A curva similar, em relação à candidatura da ministra Dilma Rousseff, aponta uma tendência sempre crescente. 

Ser (candidato) ou não ser (candidato)? Eis a questão de Serra.

Essa curva era, até então, conhecida por poucos. Ela foi mapeada por Figueiredo, um especialista em pesquisas eleitorais. Professor do Iuperj, da Universidade Candido Mendes, no Rio de Janeiro, foi utilizada por ele uma metodologia, usada nos Estados Unidos, chamada Poll of Polls (Pesquisa das Pesquisas). 

Figueiredo tomou como base o resultado das pesquisas pré-eleitorais que representam a opinião da sociedade em momentos variados. Figueiredo usou dados das pesquisas do Ibope e dos institutos Sensus e Datafolha, realizadas entre fevereiro de 2008 e setembro de 2009. A representatividade das amostras é compatível e o objeto da pergunta é semelhante (“Se a eleição fosse hoje, em quem o senhor votaria?”). 

Segundo ele, a ideia de fazer a “pesquisa das pesquisas” tem, exatamente, o objetivo de pegar as diferenças apontadas entre as pesquisas rotineiras, que, como retratos, mostram o presente. A tendência dilui essas diferenças episódicas captadas pelos porcentuais de uma mesma pesquisa ou, eventualmente, de pesquisas de diferentes institutos feitas quase no mesmo momento. 

A tendência no tempo longo livra as candidaturas de circunstâncias episódicas. 

Serra teme a derrapagem projetada por essa curva. Certamente, o deputado Rodrigo Maia, presidente nacional do DEM, se preocupa muito com ela. Aliado principal do PSDB, Maia não esconde do eleitor suas angústias e tem forçado uma definição rápida. “A oposição está sem discurso, sem candidato. Estamos no pior dos mundos”, lamentou recentemente. 

O gráfico da “pesquisa das pesquisas” aponta uma tendência, mas não assegura que a situação seja imutável. Marcus Figueiredo acredita, no entanto, que, “se o governador José Serra continuar escondido”, a tendência da curva continuará declinante e, em breve, poderá ser ultrapassado pela curva ascendente de Dilma Rousseff. 

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ANDANTE MOSSO

Maratona da morte

Havia três jovens mortos na subida do Morro dos Macacos onde a Polícia Militar travou recente confronto
com os traficantes cariocas.
Não importa se eles eram membros do exército do tráfico.
Essas mortes vão compor a estatística de homicídios de jovens entre 15 e 24 anos, no Rio de Janeiro, equiparável à alarmante situação em Pernambuco.
Em 2008, o Brasil mandou uma delegação de 277 atletas para os Jogos Olímpicos na China, com idade média de 26 anos.
Em 2016, as Olimpíadas serão no Rio. Quantos dos jovens que fazem parte dessa sinistra estatística poderiam ter se tornado atletas olímpicos?
“A morte brasileira é assim: um rapaz negro, de bermuda e chinelo, às vezes estampado nas páginas policiais, morto”, descreve a pesquisadora Sílvia Ramos.

Campanha em progresso
O PT avança na consolidação da candidatura da ministra Dilma Rousseff.
Nos dias 6 e 7 de novembro, reunirá, em Guarulhos (SP), os prefeitos do partido para discutir a participação
na campanha presidencial.
São 500 prefeitos, 450 vices e cerca de 4 mil vereadores.
Entre fevereiro e março de 2010, os petistas pretendem fazer um encontro de todos os prefeitos dos partidos que apoiarem Dilma.

Transparência
Gilmar Mendes, presidente do Supremo Tribunal Federal, é o exemplo prático do significado teórico da tal “judicialização da política”.
A teoria, na prática, é a Justiça a serviço dos políticos.

Ironia sueca
Em plena crise econômica, o Prêmio Nobel de Economia foi dado a uma cientista política.
A obra da rejubilada Elinor Ostrom é vista com restrições pela comunidade acadêmica.
Tudo isso torna maior a ironia com os economistas.

Anti-Vargas
Para montar o grande arco de alianças de suporte à candidatura Dilma, o PT terá problemas com o PTB.
Roberto Jefferson, presidente do partido, crítico constante do governo Lula, anda na contramão da tradição trabalhista. Ainda sem rumo em relação à eleição de 2010, o PTB agrega 1 minuto e 3 segundos de televisão na campanha presidencial.
Para a direção do PT, o PTB é um aliado importante, mas não estratégico.

A coisa aqui tá feia
Pedido de socorro que circula reservadamente por todo o País, na rede dos órgãos de inteligência de segurança pública.
“Estamos em busca de informações a respeito do roubo de armas da Polícia Militar de Pernambuco na semana passada, quando foram levados da cidade de Salgueiro 16 fuzis 762, cinco submetralhadoras e 38m pistolas .40.”
Salgueiro fica no sertão pernambucano, a 500 quilômetros do Recife.

Duas velas
O PCdoB realiza, no dia 5 de novembro, em São Paulo, o Congresso Nacional do partido.
Convidou e terá a ministra Dilma Rousseff na cerimônia de abertura.
Por via das dúvidas, chamou também o deputado Ciro Gomes.

Inclusão bancária
Lula e o ministro Patrus Ananias lançam, no dia 28, mais uma etapa do programa de inclusão da população de baixa renda no sistema bancário.
Mais de 1 milhão de pessoas, de 4 milhões previstos, já foram integradas na rotina das transações bancárias pela Caixa Econômica, a única instituição a pagar o Bolsa Família.
O projeto, que inclui ações de educação financeira, livra os pobres do agiota, que torna o custo do dinheiro maior do que o oferecido pelos bancos à classe média.
É isso que a oposição insiste em ignorar. 

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Justiça
Data venia...


Foi muita agitada a sessão plenária do Tribunal de Justiça do Maranhão, realizada na quarta-feira 21.
Os desembargadores Bayma Araújo e Jorge Rachid trocaram ofensas quando entrou em votação o relatório que propunha a abertura de investigação contra o juiz da cidade de Barreirinhas, Fernando Barbosa.
O magistrado Barbosa é acusado de grilar terras naquele município maranhense.
O juiz é sobrinho do desembargador Rachid.
Ao votar, o desembargador Bayma Araújo não só defendeu a necessidade da investigação como passou a atacar Barbosa, chamando-o de “ladrão” e “corrupto”, entre outros adjetivos proferidos e nunca precedidos do Data Venia, a fórmula mais usada nos tribunais para discordar do interlocutor.
Decano daquela Corte, Araújo disse ainda que Jorge Rachid só não tinha sido punido porque “estava sendo protegido” por gente lá “de dentro”. Rachid reagiu chamando Bayma Araújo de “marginal”, “corrupto”, “bandido” e “moleque”.
Os dois travaram forte bate-boca. Mas, cautelosamente, se mantiveram colados às respectivas cadeiras – uma em frente à outra.
Raimundo Cutrim, presidente do Tribunal, tentou acalmar os ânimos, mas não conseguiu. Inútil. O recurso foi encerrar a sessão.
Espera, agora, o veredicto do Conselho Nacional de Justiça sobre o comportamento dos dois desembargadores.

Mauricio Dias

Rosa-dos-Ventos

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