Busca

Publicidade

Assine CartaCapital

Acesse o site Mercado Capital e confira nossas promoções para os assinantes de CartaCapital, Carta na Escola e Carta Fundamental



Uma imprensa antidemocrática

28/08/2009 15:15:45

Mauricio Dias

A imprensa brasileira tem sido adversária histórica das instituições representativas do País.”
Essa frase, um dos mais duros veredictos já feitos sobre a imprensa brasileira, é de Wanderley Guilherme dos Santos, professor aposentado de teoria política da UFRJ, fundador do Instituto Universitário de Pesquisa do Rio de Janeiro (Iuperj) da Universidade Candido Mendes, e consagrado pela Universidade Autônoma do México, em 2005, um dos cinco mais importantes cientistas políticos da América Latina. 

Ela é parte do começo de uma conversa em torno da histórica tendência golpista da imprensa brasileira, que começa assim: “Com o fim da Segunda Guerra Mundial terminou também o Estado Novo brasileiro, ditadura civil que se iniciara em 1937. No mundo todo, mas em particular no Brasil, as elites políticas tradicionais se viram acompanhadas por um eleitorado em torno de 7 milhões, mais de dez vezes superior ao da Primeira República, e um movimento sindical legalizado e participante de algumas estruturas estatais, como os institutos de pensões e aposentadorias dos trabalhadores urbanos”. 

Segundo ele, a imprensa brasileira “sem embargo da retórica democrática”, tornou-se a principal adversária das instituições representativas.

“A exemplo de toda a imprensa, denominada grande, latino-americana, “jamais hesitou em apoiar todas as tentativas de golpe de Estado, quando estas significavam a derrubada de presidentes populares ou o fechamento de congressos de inclinação mais democrática”, denuncia Wanderley Guilherme. 

“No Brasil – prossegue –, não existe um só jornal de grande circulação que se posicione a favor dos respectivos congressos nacionais, nas esparsas ocasiões em que estes parecem funcionar.” 

Por outro lado, ele anota que “toda vez que a direita recrudesce nas urnas, sempre encontra a simpatia midiática”. 

“No Brasil, o único período em que o governo contou com o respaldo de algum jornal de certa respeitabilidade foi durante o segundo governo Vargas, com a Última Hora. Não houve um único jornal popular, de grande circulação no Brasil, durante esse período”, diz Wanderley Guilherme. 

Última Hora também foi o único reduto jornalístico contra o golpe de 1964, que toda a mídia apoiou. Sem qualquer constrangimento. 

Conceitualmente, ele lembra, a imprensa, além de ser um instrumento de difusão de informação e análise, é um ator político “na medida em que forma opinião, agenda demandas e que, eventualmente, beneficia ou cria obstáculos para governos”. 

Wanderley Guilherme comenta: “A imprensa brasileira exerce, e tem todo o direito, de ter opinião e preferências políticas. No Brasil, no entanto, ela diz que apenas retrata a realidade. É falso. Há muito da realidade que não está na imprensa e há muito do que está na imprensa que não está na realidade”. 

Não é novidade no mundo democrático. Novidade, como explica Wanderley Guilherme, é presumir e passar a impressão de que isso não acontece. 

“A imprensa brasileira não tolera a ideia de governos independentes, autônomos em relação às suas campanhas. Isso implica um caminho de duas mãos. Significa que ela terá de sobreviver sem os governos. Então, é preciso que os governos precisem dela”, conclui. 

É um retrato do momento que o Brasil atravessa no alvorecer do século XXI. 

::

ANDANTE MOSSO

Herança maldita

Como o mais provável adversário de Dilma, o governador José Serra fatura a imagem de bom administrador.
Mas a herança é o “calcanhar de aquiles” do tucano.
O eleitor condena o vínculo umbilical que ele tem com FHC.

Retrato em branco e preto
A equipe da pré-campanha presidencial da ministra Dilma Rousseff trabalha pesado para conhecer exatamente o que os eleitores pensam dela até agora. 
Pesquisas qualitativas, realizadas após a exibição de vídeos, mostram que se sobressaem duas visões até agora: a mulher vista como “antipática e arrogante” e, ao mesmo tempo, “técnica, racional e competente”. Não colou a imagem de “mentirosa” que a oposição queira aplicar nela. 

Dilma avança
A ministra Dilma Rousseff virou a tendência eleitoral em Pernambuco.
Ela tem 35% das intenções de voto, em situação de empate com o governador José Serra, que tem 34%, segundo pesquisa do Instituto Maurício de Nassau, feita entre os dias 11 e 14 de agosto, com margem de erro de 2,3%.

O caso tucano
As duas vagas para o Senado, em Pernambuco, parece que já têm dono.
O petista João Paulo, prefeito do Recife, tem 31% para a primeira vaga e o senador Marco Maciel,
tem 18% para a segunda.
O senador tucano Sérgio Guerra está em situação eleitoral desesperadora.

Cara e coroa
O senador José Agripino Maia (DEM-RN) sairá de licença em janeiro.
Assumirá o suplente José Bezerra Júnior, uma flor do que há de pior no jardim da elite nordestina. Ximbica, como é conhecido, tem no currículo uma exibição de preconceito contra o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc.
“Minha família tem 250 anos de tradição na pecuária desse país e hoje chega um maconheiro, travestido de ministro, vestido como gay para chamar os criadores de vigaristas e marginais.”
Está registrado nos anais da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte.

Reeleição
Pesquisa Ibope mostra que a gestão de Wadih Damous na presidência da OAB do estado do Rio tem aceitação recorde.
Ouvidos 400 advogados nos dias 5, 6 e 7 de agosto, ele obteve um porcentual de aprovação para fazer
ciúmes até em Lula: 88%.
Segundo a pesquisa, 71% dos advogados pensam em votar em Wadih, que é candidato à reeleição no pleito marcado para novembro.

Aparelhamento tucano
Celso Lafer, Horácio Lafer Piva e Yoshiaki Nakano foram reconduzidos para um mandato de mais seis anos no Conselho Superior da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo.
Um flagrante de aparelhamento?
Não. São homens da confiança pessoal e política do governador José Serra, que os nomeou. Aparelhamento só ocorre quando a indicação é feita pelo presidente Lula.
Para a direita, essa é uma praga que só ataca administrações progressistas.

Palanque desfeito
A direita fez o primeiro disparo contra Marina Silva.
Para o ex-prefeito carioca Cesar Maia, ela fez um “cálculo diabólico” ao sair do PT. “Espertamente, escolheu o dia, a sustentação de Sarney. Mas seria hipocrisia destacar a questão ética para sua decisão”, escreveu ele no ex-Blog.
Não se “leu, viu ou ouviu” indignação dela no chamado mensalão, ironizou.
Explica-se: no PV, Marina pode melar o acordo de Maia com o deputado Fernando Gabeira, que incluía um palanque para o candidato tucano em 2010, no Rio.

Laços potiguares
Não é só Alexandre Firmino, marido de Lina Veira, o único a ter ligações com a oposição.
Renata, filha da ex-secretária da Receita, é sócia de Larissa, filha da senadora Rosalba Ciarlini, do DEM-RN.
São donas da marca Lore, especializada em joias, segundo informação no blog do jornalista Ailton Medeiros
(www.ailtonmedeiros.com.br).
Dona Lina, no Senado, fingiu que mal conhecia esse pessoal. 

::

Anistia
A tortura não acabou

A Lei da Anistia faz 30 anos. Negociada, no ocaso da ditadura, o custo da pacificação política alcançada atingiu o objetivo, mas, depois dela, baixou uma cortina de silêncio sobre a continuidade da prática de tortura no País.
Dos ofendidos de agora, cidadãos do Brasil de baixo, raramente encontram apoio. Prova isso o ofício 120/2008, de maio, da procuradora da República em Tabatinga (AM), Rhayssa Sanches, ao tenente-coronel Afrânio Franco Filho, comandante do 8º Batalhão de Infantaria de Selva. 
“... há recrutas sendo afetados em suas incolumidades físicas através de tapas, cotoveladas e  empurrões...”, anota a procuradora. Ela pede providências “para que cessem, de maneira definitiva, quaisquer atos atentatórios à integridade física de militares em situação de instrução, uma vez que tais atos desencadeiam em responsabilidades cíveis, administrativas e criminais, podendo, além de penalidades judiciais individuais, acarretar prejuízo aos cofres públicos federais por ações judiciais intentadas pelos ofendidos”.
Diante de crime de tortura, inafiançável e imprescritível, em vez de abrir investigação ela se omite preocupada com prováveis danos aos cofres públicos. Sem dúvida, serviria melhor no Banco Central onde é grande a preocupação com o déficit primário. Êta, Brasil.

Mauricio Dias

Rosa-dos-Ventos

 comentários

Comente:

(campo obrigatório) (campo obrigatório) (O e-mail não será publicado)
O que você acha dos debates eleitorais nas redes de rádio, televisão e internet?
  • São muito importantes, ajudam na definição do voto
  • Têm uma importância relativa, pois poucos assistem
  • Não têm importância, não é por causa deles que as pessoas definem seus votos

tamanho da letra: A- | A+

Colunistas

Encontre a matéria por colunista