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Um debate falso

21/08/2009 15:04:44

Mauricio Dias

O depoimento da ex-secretária da Receita Federal Lina Vieira, feito no Senado, expôs o desespero da oposição de manter acesa a chama do denuncismo que alimenta as manchetes dos jornais e o noticiário político em geral. 

Tudo o que se ouve e se vê faz parte do jogo maniqueísta que se pratica. Portanto, é elementar e superficial por definição. Sem condições de enfrentar a avassaladora presença das ações do governo, os oposicionistas inventaram uma pauta de acusações em que se transfere para os acusados o ônus da prova. 

É uma agenda falsa que a dobradinha oposição e imprensa tenta impor ao governo. Neste caso, com o objetivo de desconstruir a candidatura de Dilma Rousseff. 

Recorro ao insuspeito ex-deputado Roberto Jefferson, que, no blog dele, acompanhando o depoimento de Lina Vieira, arrancou a máscara do episódio:

“Por enquanto, o assunto continua a ocupar os jornais e os discursos, apesar de não haver provas e sequer a data exata em que Dilma teria pedido que a investigação contra a família Sarney fosse acelerada. Mas para matar a cobra nem sempre é preciso mostrar o pau – a mera hipótese já causa estragos.” 

Expert em efeitos políticos especiais, desde que fez a denúncia, sem provas, do que ele próprio apelidou com sucesso de “mensalão”, esse veredicto de Jefferson não é contaminado de suspeição pela causa governista.
 
A oposição demo-tucana se iguala aos piores momentos do PT na oposição. Os efeitos, no entanto, são desiguais. Os atuais oposicionistas têm a imprensa à disposição, por afinidades políticas avoengas, e produzem resultados devastadores ao adversário, embora circunscritos quase inteiramente ao eleitor passivo do universo letrado e conservador. 

A oposição, arrastada pelo passe livre que tem na mídia adota um princípio primário e equivocado: quanto mais as coisas pioram, melhores se tornam. 

Por isso, faz sentido o esforço oposicionista para ignorar a agenda real do País. 

O governo oferece à sociedade PAC, Bolsa Família, Unasul, ProUni, Cotas, os programas de luz e moradia popular, além do não alinhamento automático com os Estados Unidos, entre outras iniciativas políticas. 

A oposição reage com uma agenda de interesse eleitoral, travestida de discurso ético. Um flagrante desse confronto: na quarta-feira 19, enquanto se trombeteava a denúncia vazia e suspeita de Lina Vieira, o governo anunciava que o programa Bolsa Família atingia a marca de 573 mil famílias beneficiadas. 

José Sarney é outro exemplo fulanizado dessa agenda falsa. 

Ao longo dos últimos 30 anos ou mais, a imprensa ignorou as denúncias contra os desmandos dele no Maranhão, estado cujo IDH ruboriza a nacionalidade. Concentrados em desmoralizar Sarney, aliado de Lula, os ex-aliados miram na desarticulação da base governista no Congresso. 

A criação da CPI da Petrobras é resultado de outra trama. O foco em supostos problemas de corrupção deixa na sombra o propósito de enfraquecer o controle da decisão que está nas mãos do governo, cuja proposta, a construção de uma nova empresa para gerir a tarefa, reacende nos corações e mentes a campanha pela criação da Petrobras nos anos 1950: o petróleo (do pré-sal) é nosso. 

A pauta real do País merece uma oposição forte. Conservadora, mas honesta nos propósitos políticos, capaz de orientar a decisão da sociedade. O que está em cena não é isso. 

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Andante Mosso


Marina usa o boné 

Na semana passada, Marina Silva, talvez na última aparição pública como senadora petista, participou de um debate no Acampamento Nacional do MST.
O preconceito político da elite brasileira não tolera isso.
Qual terá sido a reação do deputado Fernando Gabeira, interlocutor de Marina no PV, quando abriu o jornal no domingo 16, e viu a foto dela, sorridente, com o ameaçador boné vermelho dos sem-terra?

Marina pede o boné 
                          
A falecida UDN – que descanse em paz! – gostava de enaltecer políticos do tipo “reserva moral”.
O PT, sem Marina Silva, lamenta a perda do tipo “reserva florestal”.

Combustível do diabo 

A eventual migração da senadora Marina Silva para o PV circulou com a notícia de que Rogério Frota de Araújo, dono da empreiteira que teria financiado apartamentos usados pelos Sarney, em São Paulo, seria braço financeiro do PV no Maranhão.
Frota já disputou eleição, sem sucesso, na cidade maranhense de Imperatriz.
“E ainda acham que o problema está em algumas das partes da máquina, quando está no combustível. Lambuza todo mundo”, repete sempre o cientista político Wanderley Guilherme dos Santos, diante do reinante furor moralista. 

Regra três 

A ex-senadora Heloísa Helena ainda se mantém irredutível quanto às pressões para voltar a disputar a eleição presidencial em 2010.
Os apelos internos no PSOL aumentaram diante do bom desempenho que ela mantém nas pesquisas de intenção de voto.
Sem ela, o partido tem como alternativa o advogado Plínio de Arruda Sampaio.

O gato morreu na tuba 

O Supremo Tribunal Federal decidiu que o crédito tributário do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), um apoio legítimo aos exportadores criado em 1969, foi extinto em 1990.
A proposta de estender o benefício até 2002 era um gato enfiado na tuba pela deputada tucana Lúcia Vânia (GO), durante a votação da medida provisória do programa de casas populares.
O STF matou o gato na tuba. Mas é preciso cuidado. Dizem que esse bichano tem sete vidas. 

Burocracia algemada 

A proposta final da Fundação Getulio Vargas para a reforma do Senado, ainda não divulgada oficialmente, põe algemas na alta burocracia da casa. As quatro principais sugestões do relatório não deixam dúvidas sobre isso:
a) Controle dos agentes administrativos pelo poder político; b) Redução significativa do número de cargos de direção superior;
c) Responsabilização dos principais agentes encarregados
pela realização das despesas;
4) Fortalecimento da área
de controle interno.

A vassourada 

Se todas as sugestões da FGV forem adotadas, haverá uma limpa na casa.
Foram identificados 110 cargos com a denominação “Diretor”, embora menos da metade, 41, seja “realmente função de direção”.
A proposta é reduzir para apenas oito.
Surpreendeu os analistas a relação entre servidores terceirizados (3.500) e efetivos (3.364). A proporção é de um por um.
Devem ser eliminadas 269 unidades, ou seja, 43% da estrutura total do Senado, e elaborado um Plano de Demissão Voluntária para funcionários, “com o objetivo de alcançar uma redução de até 20% do pessoal efetivo”.

Por fim...
Se essas medidas forem adotadas, sobrará aos 81 senadores a mais difícil decisão.
Restaurar a moralidade na Casa.

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Lei Seca
Autoridades de pileque
 

Nos próximos dias, o juiz Eduardo Freitas Paranhos Filho, de Salvador (BA), será ouvido no Conselho Nacional de Justiça por ter sido autuado dirigindo após o consumo de bebida alcoólica acima do que
a lei permite. A ocorrência é de 2 de julho de 2008. 

Foi ele a primeira autoridade judiciária do País flagrada por violar a chamada Lei Seca, de 19 de junho daquele ano. 

Juízes e promotores talvez sejam os dois grupos profissionais mais autuados por esse crime: dirigir após consumo de álcool acima de 0,1 mg por litro de ar expelido. 

Paranhos Filho foi o primeiro, mas não o único. O registro mais recente e escandaloso foi com o procurador do estado do Pará, Paulo de Tarso Klautau. Ele dirigia embriagado no centro de Belém. Flagrado, desacatou os policiais e invocou seu lastro profissional. As cenas, gravadas em celular, foram disponibilizadas no YouTube. 

Um levantamento feito pelo site Direito Global mostra que há registro oficial de doze ocorrências, nos doze primeiros meses da Lei Seca, envolvendo magistrados e promotores. Um caso por mês. Não foi, portanto, pelo comportamento deles como motoristas que caiu expressivamente o número de acidentes no trânsito,
a partir da nova regra. Dão um péssimo exemplo.

Mauricio Dias

Rosa-dos-Ventos

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