Uma estrela chamada Rosário
20/03/2008 15:16:33
Mauricio Dias
A tradição machista na esquerda brasileira sempre foi maior do que a tradição na direita. Isso começou a mudar de forma mais veloz e expressiva a partir da participação feminina nos movimentos armados, nos anos 1970. Quando a gaúcha Maria do Rosário nasceu, em 1967, já era assim. Ela filiou-se, em 1985, ao PCdoB e, em 1994, migrou para o PT.
No domingo 16, ela nocauteou a poderosa cúpula do PT no Rio Grande do Sul e ganhou o direito de disputar a prefeitura de Porto Alegre. A disputa foi resolvida com pouco mais de 50 votos de vantagem sobre o ex-ministro Miguel Roseto. Indiretamente, ela derrotou também três ministros do governo Lula (Tarso Genro, Justiça; Dilma Rousseff, Casa Civil, e Guilherme Cassel, Desenvolvimento Agrário) e outros nomes expressivos, como Olívio Dutra e Raul Pont.
Lula não se meteu. Escapou da derrota.
As mulheres estão em ascensão na esquerda. Além da petista, duas outras mulheres vão estar na eleição de Porto Alegre. Mas essa vitória, além do aspecto cultural – contra o celebrado machismo gaúcho –, tem um importante significado político. Maria do Rosário explica: “O PT isolou-se no Rio Grande do Sul a partir de políticas erradas, a exemplo do que ocorreu no governo Olívio Dutra, quando houve o rompimento com o PDT”.
Para os petistas derrotados ela manda um recado: “Quero ganhar a eleição em nome do PT e não em meu nome”.
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A evasão dos oficiais
A cúpula militar esconde da sociedade o que se passa nos quartéis
Os boletins do Exército brasileiro, de janeiro ao começo de março, mostram uma assustadora evasão de oficiais: 23 deles, nas patentes de major, capitão e tenente, saíram dos quadros da força nos primeiros 67 dias de 2008. Isso significa uma baixa a cada três dias.
Todos eles saíram por ter sido nomeados e investidos em cargos públicos permanentes, após terem sido aprovados em concursos. Os trabalhos mais ambicionados são os de auditor da Receita Federal, fiscal do INSS e delegado da Polícia Federal.
A evasão cresce nos últimos meses do ano, quando há um aumento de concursos. É possível deduzir, a partir da desistência de oficiais, o que pode estar acontecendo com os sargentos.
A situação não é nova. E o que vale para o Exército vale também para a Marinha e para a Aeronáutica. Nova não é, também, a política da cúpula militar das três forças de tentar esconder da sociedade o que se passa nos quartéis.
Dois fatores empurram os militares para a busca de oportunidade no mundo civil: os baixos salários e um elevado desencanto com a falta de perspectiva. O sucateamento das Forças Armadas é tão grande que não chega a ser um exagero o que diz, reservadamente, um oficial que trocou o Exército pela Polícia Federal: “A Marinha não tem navios, a Aeronáutica não tem aviões e o Exército não tem fuzis nem carros de combate”.
No Rio de Janeiro, aumentam as escolas que preparam militares para os concursos. Há duas bem conhecidas. A Maxx, pertencente ao ex-sargento da FAB Alexandre Lopes, e a tradicional Academia de Concurso Público. Desta se diz que a afluência de militares é tão grande que, se for executado o Hino Nacional, os alunos se perfilam automaticamente aos primeiros acordes. Um dos alunos é major do quadro do Estado-Maior que deve ganhar cerca de 5 mil reais líquidos. Tem cerca de 20 anos de serviço.
A proposta salarial do governo, divulgada esta semana, é um movimento inicial para mudar a situação. Um sinal tímido, mas um sinal. Os aumentos variam de 27% a 50%. Cerca de 80 mil recrutas serão beneficiados com um aumento salarial que passa de R$ 207 para R$ 415.
Malgrado a má lembrança da ditadura recente, a sociedade brasileira precisa decidir se o país deve manter as Forças Armadas nas condições atuais. É uma decisão política do poder civil. O custo econômico delas é alto. Maior pode ser, no entanto, o custo de ficar sem elas. Ou mantê-las como estão agora.
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Andante Mosso
Confronto no Rio
O confronto entre o governador Sérgio Cabral e o ex-governador Anthony Garotinho pela indicação do candidato a prefeito do Rio de Janeiro causa danos à base do PMDB mobilizada para a eleição.
Garotinho e o presidente da Assembléia Legislativa, deputado Jorge Picciani, controlam a maioria dos convencionais. Eles resistem ao nome do deputado Eduardo Paes, recém-saído do PSDB, apoiado por Cabral.
O governador sofreria uma derrota brutal se não ganhasse a disputa para a prefeitura da capital. Mas a caneta dele tem o poder de mudar números adversos.
Maioria, nesses casos, é sempre um resultado político e não aritmético.
Aécio arreia o cavalo
Além de desafiar a ira do PT ao aceitar o convite para trabalhar com o governador Aécio Neves, o petista Tilden Santiago assumiu também a tarefa de costurar a aliança com os tucanos para a eleição municipal deste ano.
Isso pode valer para a eleição de 2010. Mas o governador será candidato a presidente? Tilden Santiago, embaixador brasileiro em Cuba no primeiro governo Lula, une diplomacia e mineirice para responder.
“Como bom mineiro, o Aécio não acredita nessa história de só subir no cavalo se o bicho passar arreiado. Ele já está arreiando o cavalo”, garante.
Há espaço para o PT na garupa.
Mau exemplo
No dia 29 de novembro de 2007, dois meses após deixar o posto de adido militar nos Estados Unidos, o general Luiz Roberto Fragoso Peret Antunes despediu-se do serviço ativo no Exército, depois de 37 anos.
Fez um discurso no Salão de Honra do Estado-Maior do Exército na presença do chefe do EME, de outros generais, oficiais da ativa e da reserva, praças e familiares.
Na semana passada, o general Peret divulgou o discurso de despedida. Eis um trecho do disparo:
“O que mais pesou na minha decisão de pedir passagem para a reserva foi, sob o meu enfoque, a falta de consideração, a deslealdade e a falta de camaradagem (...) Ser disciplinado não é ser subserviente”.
Se a moda pega...
Vampiros do ensino
O Ministério da Educação divulgou a lista dos nomes indicados para compor as câmaras de ensino superior e ensino básico do Conselho Nacional de Educação (CNE).
Há muitas surpresas desagradáveis. A União Brasileira de Estudantes Secundaristas (Ubes) e a União Nacional dos Estudantes (UNE) enviaram, por exemplo, nomes que representam o ensino superior privado. Nada de errado com o fato de que os interesses particulares sejam representados no CNE. Lamentável é que tenham sido indicados por entidades estudantis.
Permanecem na lista velhos vampiros do ensino que o ministro Fernando Haddad, tão justificadamente, tenta enxotar. Nesse sentido ele cometeu um erro. Pediu as indicações de nomes e não deu publicidade às instituições que os indicaram.
Haddad já pensa em usar o poder de veto.
Mundo mineral (1)
Benjamin Steinbruch prepara-se para ir às compras. Quando perdeu o lance para adquirir a Corus, no início de 2007, a CSN valia menos de 10 bilhões de dólares em Bolsa.
A empresa vencedora do leilão, a indiana Tata Steel, era cotada a 13 bilhões de dólares.
Hoje, a siderúrgica brasileira ronda os 28 bilhões de dólares. A indiana ficou estacionada no mesmo valor.
Mundo mineral (2)
Mesmo depois de ter melado o negócio com a Rio Tinto, há quem garanta que a BHP do Brasil também prepara um bote.
Naquilo que tem de verdade, esse aquecimento do mercado siderúrgico é reflexo da expansão das commodities.
No que tem de especulação, é reflexo da vaidade dos executivos. Há negócios fechados dentro da lógica “comprar por comprar”.
Entrando numa fria
Está registrado na 6ª Delegacia Policial do Rio de Janeiro.
Na quarta-feira 12, um carro Santana de cor azul foi furtado no centro da cidade, por volta das 19h30.
O veículo usava, não se sabe por que, a placa cinza (fria) LQF 6180 e conduzia para casa um coronel da reserva.
A placa fria dificulta irremediavelmente a recuperação.
Mauricio Dias
Rosa-dos-Ventos