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FECHAR Thomaz Wood Jr. twood@fgvsp.br

Thomaz Wood Jr. escreve sobre gestão e o mundo da administração

Leituras fugazes

09/01/2009 16:53:42

Thomaz Wood Jr.

In Search of Excellence (Vencendo a Crise) é um dos mais populares livros de gestão de todos os tempos. No fim da década de 1970, a consultoria McKinsey havia lançado dois grandes projetos de pesquisa. O primeiro e mais importante foi alocado ao escritório de Nova York e teve como tema Estratégia. O segundo projeto, o primo pobre, foi destinado ao escritório de São Francisco e teve como tema Estrutura e Pessoas.

Curiosamente, foi esse projeto de segunda classe que entraria para a posteridade. Thomas J. Peters e Robert H. Waterman Jr., os consultores responsáveis, não tinham teoria ou modelo em mente, mas contaram com um orçamento generoso para viajar pelo mundo e conversar com executivos.

Os registros dos dois consultores teriam terminado em um arquivo morto, não fosse uma solicitação para os resultados serem apresentados para a Siemens. Consta que Peters produziu um massacre de 700 slides que durou dois dias. Os sobreviventes ficaram tão impressionados (ou estupefatos) que propagaram a fama de Peters de volta para os Estados Unidos, originando uma segunda apresentação para a PepsiCo. Este segundo compromisso fez com que Peters sintetizasse os resultados da pesquisa em oito tópicos, supostamente as condições responsáveis pelo sucesso das melhores empresas: orientação para ação, proximidade com o consumidor, empreendedorismo, foco nas pessoas, foco na geração de valor, conhecimento do negócio, estrutura enxuta e combinação astuta entre centralização e autonomia.

Lançado como livro em um momento em que a auto-estima norte-americana andava em baixa, em razão do avanço dos produtos japoneses, In Search of Excellence encontrou um público ansioso por ouvir que a América ainda tinha grandes empresas. O livro foi traduzido em dezenas de idiomas e vendeu milhões de cópias. Entretanto, o tempo encarregou-se de mostrar que as companhias excelentes não eram tão excelentes e que a receita não era infalível. De fato, várias empresas citadas enfrentaram dificuldades financeiras, o que levou alguns críticos a apontar a falta de rigor científico da obra.

Em 2001, surgiu um rival para In Search of Excellence. Em Good to Great (Empresas Feitas para Vencer), o autor Jim Collins imitou e aperfeiçoou a pseudociência de Peters e Waterman, atingindo sucesso comparável. Em seu “estudo”, Collins identificou onze organizações que haviam conseguido passar de boas empresas para grandes empresas, espécimes excepcionais da fauna corporativa. Para o autor, estas onze grandes empresas exibiam traços comuns, relacionados a liderança, gestão de talentos, tomada de decisão, foco e visão. Para convencer as mentes mais exatas, Collins provou que todas elas haviam experimentado quinze anos de desempenho excepcional no mercado de ações.

Agora nos chegam dois estudos, publicados na revista Academy of Management Perspectives, que analisam os métodos e as conclusões de Collins. O primeiro estudo foi conduzido por Bruce G. Resnick e Timothy L. Smunt, da Wake Forest University. O segundo foi conduzido por Bruce Niendorf e Kristine Beck, da Universidade de Wisconsin. A conclusão é contundente, porém não surpreendente. O método usado por Collins não é sustentado por uma análise criteriosa do desempenho das empresas, ou seja, as “11 grandes” não são melhores que seus pares. Vale registrar que no seleto grupo estavam a cadeia Circuit City, concordatária desde novembro de 2008, e a Fannie Mae, uma das protagonistas da crise imobiliária atual.

De fato, há mais em comum entre In Search of Excellence e Good to Great, além de venderem milhões de exemplares e adornarem as estantes de executivos em todo o planeta. Ambos parecem estudos científicos, mas não são. Ambos sugerem receitas certas para o sucesso, porém seus resultados não são generalizáveis.

Ora, a lógica de produção e venda de best sellers de gestão é conhecida: uma idéia sedutora, embalada por uma redação charmosa, algum senso comum e profusão de dados. Difícil mesmo é entender o comportamento de centenas de executivos que adquirem tiragens inteiras para distribuir a seus liderados, e professores que usam os duvidosos volumes em suas aulas.

Neste verão, se o prezado leitor foi presenteado com um best seller de gestão, sugere-se enterrá-lo a sete palmos e utilizar o tempo de lazer com boa literatura de entretenimento. Aliás, não há escassez de bons títulos de ficção. É melhor ocupar a mente com diversão de qualidade do que entupi-la com pseudociência e idéias imperfeitas.

Thomaz Wood Jr.

Gestão

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