Sustentabilidade

Análise

O mundo está cada vez mais quente

por Reinaldo Canto publicado 17/11/2016 11h12, última modificação 17/11/2016 11h13
Em declaração provisória para a COP 22, Organização Meteorológica Mundial antecipa novo recorde de temperatura em 2016
Mark Ralston / AFP
COP 22

Delegada da COP 22 em frente a painel que exibe homem surfando em meio ao lixo jogado no mar. Em Marraquexe, o mundo discute as mudanças climáticas

De Marraquexe (Marrocos) 

Ainda não é um número oficial, mas segundo anúncio da Organização Meteorológica Mundial (OMM) especialmente para a COP 22, realizada em Marraquexe, tudo leva a crer que 2016 vai superar o recorde anterior de temperatura e ser o mais quente da história. O recorde atual é de 2015, o que ajuda a mostrar a gravidade da situação.

O levantamento preliminar apontou que as temperaturas globais deste ano estão aproximadamente 1,2° Celsius acima comparados aos registrados nos níveis anteriores à Revolução Industrial

A OMM, a voz das Nações Unidas para o tempo, o clima e a água, informou que de janeiro a setembro foram apurados aumentos de 0,88° Celsius acima da média de 14°C (referência usada pela organização que vai de 1961 a 1990).

Para os céticos que ainda resistem a aceitar os fatos sobre o aquecimento progressivo do planeta, a Organização Meteorológica Mundial afirma que ao se tornarem oficiais os números deste ano, 16 das 17 temperaturas mais altas registradas na história ocorreram neste século. O outro ano mais quente foi 1998.

"Mais um ano, mais um recorde. As altas temperaturas que vimos em 2015 estão a caminho de serem ultrapassadas em 2016", alertou o secretário-geral da OMM Petteri Taalas durante a apresentação do relatório ainda preliminar.

Entre os fatores apontados como determinantes para essas altas temperaturas estão o efeito do El Niño entre 2015 e 2016; as concentrações cada vez mais altas dos gases de efeito estufa na atmosfera e todas as suas nefastas consequências para o meio ambiente e, claro, para a vida de todos os habitantes do planeta, humanos e não humanos.

Influenciam ainda a redução das camadas de gelo no Ártico e na Groenlândia; o branqueamento dos corais; a elevação do nível do mar e o agravamento dos fenômenos climáticos extremos que tanta dor e destruição vem causando planeta afora, como foi o caso do Furacão Matthew, responsável pela pior crise humanitária no Haiti desde o terremoto de 2010.

“Por conta das mudanças climáticas, aumentou a ocorrência de eventos climáticos extremos. No intervalo de uma geração, ondas de calor e inundações estão se tornando mais regulares. A elevação do nível do mar aumentou a exposição a tempestades associadas a ciclones tropicais” afirmou Taalas.

Para o secretário-executivo da OMM, antecipar as informações para a reflexão dos negociadores presentes à COP 22 em Marraquexe é uma oportunidade de aprofundar as decisões e o grau de conscientização para a urgência de ações efetivas no combate às mudanças climáticas. “O Acordo de Paris entrou em vigor em tempo recorde e com compromisso recorde global. A OMM apoiará a transição do Acordo de Paris em direção a ações concretas” completou.

A declaração final da Organização Meteorológica Mundial será publicada no começo do próximo ano, já com todos os dados de 2016 consolidados.