Sustentabilidade

Empresários pressionam Mourão por combate ao desmatamento na Amazônia

Em carta, empresas pedem do vice-presidente compromisso prático com o bioma e com uma recuperação sustentável da economia

O General Hamilton Mourão, vice-presidente do Brasil. Foto: Suamy Beydoun/AGIF/AFP FOTO: Suamy Beydoun/AGIF/AFP
O General Hamilton Mourão, vice-presidente do Brasil. Foto: Suamy Beydoun/AGIF/AFP FOTO: Suamy Beydoun/AGIF/AFP

Empresas brasileiras e internacionais assinaram uma carta-conjunto nesta terça-feira 07 para pressionar o governo Bolsonaro a tomar medidas mais efetivas em relação ao desmatamento na Amazônia, que, até junho de 2020, já  bateu o recorde dos últimos 13 anos.

A carta, que será encaminhada ao vice-presidente Hamilton Mourão, conta com nomes de bancos como Itaú, Santander e Bradesco, com gigantes do setor tecnológico como a Microsoft e a Siemens, com associações ligadas ao agronegócio e até outras de setores energéticos e petrolíferos, como a Shell e a Eletrobras. A Vale, que responde por dois dos maiores crimes ambientais da história do País, também assina o documento.

Além de Mourão, também recebem o documento os presidentes do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), e o procurador-Geral da República, Augusto Aras.

Apesar da diversidade de atuações, todos os assinantes do documento destacam o fato de que a política ambiental brasileira tem desmerecido o papel do País como possível potência sustentável e incomoda, também, o setor agroexportador.

A carta segue a toada dos investidores estrangeiros, que também enviaram notas de repúdio ao Brasil informando sobre a insustentabilidade da questão amazônica.

“Essa percepção negativa tem um enorme potencial de prejuízo para o Brasil, não apenas do ponto de vista reputacional, mas de forma efetiva para o desenvolvimento de negócios e projetos fundamentais para o país”, diz o documento.

“De um lado, entendemos que é possível dar escala às boas práticas a partir de políticas consistentes de fomento à agenda ambiental, social e de governança. De outro, é necessário adotar rigorosa fiscalização de irregularidades e crimes ambientais na Amazônia e demais biomas brasileiros”, continua.

O tom do documento, no entanto, não é combativo contra o posicionamento do Ministério do Meio Ambiente e nem endossa pedidos de mudanças na pasta, em um momento que o ministro Ricardo Salles está a mira do Ministério Público Federal, que pediu sua deposição por improbidade administrativa na segunda-feira 07.

A carta também não aponta preocupações concretas com a ação do governo federal na Amazônia. Segundo informações do jornal O Estado de S. Paulo, a Operação Verde Brasil II, que está na alçada militar de Mourão, executou apenas 0,7% do orçamento prometido até o momento.

O decreto milionário de Garantia de Lei e Ordem (GLO) também não tem mostrado resultados significativos em relação ao prometido pelo Conselho da Amazônia, que é centralizado no vice-presidente.

A senadora Eliziane Gama (Cidadania-MA) apresentou requerimento na segunda-feira para que o vice-presidente preste esclarecimentos ao Senado.

No documento, as empresas propõem  medidas mais amplas como “minimização do impacto ambiental no uso dos recursos naturais, buscando eficiência e produtividade nas atividades econômicas daí derivadas” e “pacotes de incentivos para a recuperação econômica dos efeitos da pandemia da COVID-19 condicionada a uma economia circular e de baixo carbono.”

“Era preciso dar voz ao setor privado, mas não em uma situação polarizada. A intenção era separar o joio do trigo”, disse Marina Grossi, presidente do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS) em entrevista ao Valor Econômico. Leia o documento completo.

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