Vereadora trans Erika Hilton é ameaçada por ‘garçom reaça’

Parlamentar do PSOL registrou boletim por ameaça. Tentativa de intimidação é a segunda enfrentada por ela em menos de um mês

Erika Hilton (Fotos: José Antonio Teixeira/ALESP)

Erika Hilton (Fotos: José Antonio Teixeira/ALESP)

Sociedade

A vereadora Erika Hilton, do PSOL de São Paulo, registrou um boletim de ocorrência na quarta-feira 27 após um homem tentar entrar em seu gabinete. Ao ser impedido, o rapaz deixou uma carta na qual admitiu ter realizado ataques virtuais contra a parlamentar.

Alterado e vestindo uma máscara com símbolos religiosos, ele se identificou como “Garçom Reaça” e disse ter trabalhado no restaurante do Círculo Militar, que fica ao lado da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), onde Hilton exerceu parte de um mandato de codeputada estadual antes de ser eleita em 2020. Na carta entregue a ela, o homem “pede desculpas” por ofensas contra a vereadora feitas nas redes sociais.

Erika afirma que o episódio foi “muito violento e assustador”, e que busca soluções junto à presidência da Câmara dos Vereadores e à Guarda Civil Metropolitana. Diante da ameaça, a vereadora conta que precisou se esconder enquanto uma de suas assessoras acalmava o homem.

Primeira mulher trans a ocupar uma cadeira na Câmara paulistana, Erika Hilton foi a candidata a vereadora mais votada nas eleições 2020. Empossada há menos de um mês, esta é a segunda vez que ela enfrenta ameaças e tentativas perseguição.

No último dia 13, um funcionário do setor de Recursos Humanos da Câmara com histórico de distúrbios psicológicos, segundo informou a Casa, teria tido um “surto” no local e posteriormente procurado e pedido pelo telefone da vereadora. Nos dias seguintes, o homem tentou entrar em contato com Erika por meio de telefones disponíveis ao público e fingiu se passar por um estudante de medicina, relatou Hilton a CartaCapital. 

Ontem, outra vereadora trans da Câmara também compareceu à delegacia para prestar queixa. Carolina Iara, que exerce um mandato de covereança também pelo PSOL, teve sua casa atingida com dois tiros na madrugada de terça-feira 26. Iara estava em casa junto à mãe e o irmão no momento do atentado, mas nenhum dos três foi atingido. Por questões de segurança, a parlamentar deixou a residência.

 

 

 

Os ataques à atuação política da vereadora não são novos. No começo do ano, Hilton processou 50 perfis que proferiram ofensas a ela na internet, e pediu para o Facebook, o Twitter e o Instagram forneçam os registros eletrônicos de acesso, com informações sobre usuário, IP de origem e demais rastreios a fim de identificar os autores das publicações.

A maior preocupação, diz a vereadora, é como será a dinâmica para o trabalho na Câmara enquanto aguarda as respostas relativas a sua segurança.

“Me sinto, receosa, preocupada, mas também ciente que meu corpo está na mira do ódio. Agora, que as pessoas vão à porta do meu gabinete, isso gera uma instabilidade na atuação política muito grande. A gente tem medo de ir à própria Câmara”, relata.

“Essa é a grande tentativa desses grupos reacionários, é uma tentativa sistemática de tentar paralisar minha atuação política e me fazer ter medo de atuar em prol das pautas que eu defendo. Eles não vão chegar a lugar nenhum, pois as pautas que eu defendo são as pautas da minha vida, da minha existência, que me trouxeram ao lugar que estou agora.”

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