Sociedade

Presidente do Metrô ameaça punir grevistas por ‘conduta abusiva’

Sindicato dos metroviários afirma que paralisação está dentro dos limites legais: ‘Não estamos na ditadura’

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
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O presidente do Metrô de São Paulo, Júlio Castiglioni, afirmou que a empresa vai punir os funcionários em greve que paralisaram quatro linhas do transporte na capital paulista nesta terça-feira 3.

“Não há nenhuma predisposição para negociar o interesse público”, disse Castiglioni.

“Em persistindo o descumprimento da ordem judicial, nós vamos, no tempo devido, no modo devido, executar as multas, vamos punir aqueles que eventualmente empreenderam alguma conduta abusiva e é o mínimo que podemos apresentar como resposta”, completou.

Segundo o presidente, um oficial de Justiça esteve no Centro de Controle Operacional da companhia por volta das 6h para verificar o cumprimento da decisão do desembargador Celso Furtado de Oliveira, do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região. Na decisão, o magistrado determinou que os serviços de transporte devem operar com 100% da capacidade no horário de pico e com 80% nos demais horários, sob pena de multa de 500 mil reais ao sindicato em greve.

O anúncio foi feito após o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) reforçar o plano de privatização do Metrô, da CPTM e da Sabesp, motivo da greve conjunta dos servidores das três companhias públicas.

“Quais as linhas disponíveis hoje? As linhas 4, 5, 8 e 9, operadas pela iniciativa privada (…) Isso reforça a convicção de que estamos indo na direção certa”, disse o governador.

Ele chamou a paralisação de “pauta corporativa” dos funcionários do transporte público de SP e afirmou que o governo continuará os estudos sobre a concessão das linhas.

A presidente do Sindicato dos Metroviários, Camila Lisboa, por sua vez, afirmou que a postura fere o direito de greve dos trabalhadores e “mente em favor de um objetivo político” ao falar das paralisações da categoria.

“Ali naquela coletiva teve muita omissão, muita mentira a serviço de um projeto político, porque o governador quer ser presidente do Brasil. […] O que ele não pode é atacar o direito de protesto dos trabalhadores. Nós não estamos na ditadura, governador. A ditadura acabou”, disse ela.

O sindicato alega que as falhas constantes das linhas 8-Diamante e 9-Esmeralda, administradas pela ViaMobilidade, foram omitidas pelo governador durante posicionamento.

“Descarrilamentos, velocidade reduzida e trem andando com portas abertas” foram alguns dos problemas apontados pela categoria.

O governador alega que conversas com o público que utiliza serviço faz parte do plano de privatizações. No entanto, a categoria afirma que, dos termos do leilão, não consta tal consulta.

“Se ele topar o plebiscito oficial, a gente conversa com os trabalhadores para ver se a greve continua ou não”, defendeu a presidente do sindicato.

“O governador está parecendo mais um CEO das linhas privadas do que um governador que tem que se preocupar com o serviço público”, disse a presidente.

A greve que iniciou ainda na madrugada de terça-feira paralisou as linhas 1-Azul, 2-Verde, 3-Vermelha e 15-Prata do Metrô, além das linhas 10-Turquesa, 12-Safira e 13-Jade da CPTM.

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