Sociedade

PM agride mulher negra durante abordagem em Macapá

‘Fui chamada de preta, fui chamada de vagabunda por eles’, diz a pedagoga Eliane Espírito Santo da Silva

Foto: Reprodução Foto: Reprodução
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Um  vídeo que circula nas redes sociais neste domingo 20 mostra o momento em que uma mulher negra leva um soco no rosto durante uma abordagem policial em Macapá (AP). A vítima é a pedagoga Eliane Espírito Santo da Silva, de 39 anos.

 

Nas imagens, enquanto policiais revistam dois homens, Eliane reclama com os agentes. Um deles tenta imobilizá-la, dá uma rasteira e a derruba. Já no chão, ela é agredida com um soco no rosto.

Ao G1, Eliane afirmou que foi vítima de racismo. “Para mim isso foi uma tortura, mexeu muito com meu psicológico. […] Eu fui chamada de preta, fui chamada de vagabunda por eles na delegacia. Eu me senti ofendida e para mim foi um preconceito muito grande, porque éramos os únicos negros ali. O correto era todo mundo ser ouvido. Por que eu vou pagar fiança por um crime que eu não cometi? Por que o policial me agrediu se eu não ofendi ele e estava apenas fazendo um vídeo?”, disse

A PM do Amapá, de acordo com o G1, disse tratar-se de um caso isolado e que vai apurar.

Em nota, o governador do estado, Waldez Góes (PDT), descreveu que a ação foi “recheada de atitudes racistas”. Por isso, ele informou que determinou ao comando da PM a “apuração criteriosa e rápida dos fatos”.

A abordagem teria acontecido na sexta-feira 18 à noite, numa região chamada Loteamento São José, na Zona Norte da cidade. A pedagoga foi presa e apresentada no Centro Integrado de Operações em Segurança Pública (Ciosp) do bairro Pacoval por resistência, desacato e desobediência.

“A polícia já abordou a gente apontando as armas para o carro. Abordou todo mudo menos eu; um deles deu um soco no estômago do meu marido. Eu falei para a equipe liberar o adolescente porque ele é do interior, e estava sob minha responsabilidade. Eu atravessei, fiquei na calçada de casa. Só um deles me agrediu”, comentou.

De acordo com Eliane, a ação começou quando ela estava dentro do carro de um amigo da família, na frente de casa; no veículo estavam ela, o marido, dois amigos, um adolescente de 15 anos, e uma sobrinha de 4 anos.

Ao G1, a pedagoga disse que três policiais militares iniciaram a revista nos homens, enquanto mandaram ela ir para o outro lado da rua. Eliane também começou a gravar um vídeo do próprio telefone, que foi apreendido pela equipe.

O marido dela, Thiago da Silva, também foi detido pelas mesmas acusações.

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