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O que se sabe sobre a operação da PF contra suspeitos de entregar 43 mil armas a facções brasileiras

A ação internacional já cumpriu cinco mandados de prisão no Brasil e 14 no Paraguai

Diego Dirísio, o maior contrabandista de armas da América do Sul. Foto: Investigação internacional
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A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira 5 a Operação Dakovo, contra um esquema de tráfico de armas europeias para o Brasil. Segundo a corporação, uma empresa com sede no Paraguai importava milhares de fuzis e pistolas fabricados na Croácia, na Turquia, na República Tcheca e na Eslovênia.

No Paraguai, a numeração dessas armas era raspada, a fim de dificultar o rastreamento. Na sequência, elas eram repassadas a grupos de traficantes que atuam na fronteira com o Brasil e, de lá, chegavam até facções criminosas brasileiras. A movimentação teria chegado a 1,2 bilhão de reais.

A PF estima que mais de 43 mil armas foram importadas por esse esquema em três anos.

No âmbito das investigações, conduzidas em parceria com o Ministério Público Federal e com autoridades paraguais, foram expedidos 25 mandados de prisão preventiva e 54 de busca e apreensão no Brasil, no Paraguai e nos Estados Unidos.

Na ação desta terça, segundo o Ministério da Justiça e da Segurança Pública, já foram cumpridos 17 mandados de busca e apreensão no Brasil e 21 no Paraguai. No caso dos mandados de prisão, foram cumpridos cinco no Brasil e 14 no Paraguai.

Além disso, 21 nomes de procurados foram incluídos nas difusões vermelhas da Interpol e 66 milhões de reais no Brasil foram bloqueados (em bens, direitos e valores). A PF também apresentou formalmente um pedido de cooperação jurídica com Paraguai e Estados Unidos.

À tarde, o ministro da Justiça e da Segurança Pública, Flávio Dino, afirmou que, até este momento, a operação levou à apreensão de 2.325 armas, entre fuzis e pistolas.

Quem está na mira

No Paraguai está o principal alvo da operação, o argentino Diego Hernan Dirísio, ainda não encontrado. Ele é considerado pela PF o maior contrabandista de armas da América do Sul.

A ordem para deflagrar a operação partiu da Justiça da Bahia. Em 2020, pistolas e munições foram apreendidas no estado, dando origem à investigação.

Entre novembro de 2019 e maio de 2022, de acordo com a PF, a empresa de Dirísio, chamada IAS, importou cerca de 7,7 mil pistolas de uma fabricante na Croácia e mais de 5 mil rifles, pistolas e revólveres de origem turca, entre outras armas. Outros funcionários da IAS também estão na mira da investigação.

No fim da linha, essas armas chegavam a facções criminosas de São Paulo e do Rio de Janeiro. Doleiros e empresas de fachada no Paraguai e nos Estados Unidos também fariam parte do esquema.

A apuração internacional ainda indicou a suspeita de participação de militares do Paraguai, entre eles o general Arturo Javier González Ocampo, ex-chefe do Estado Maior General da Força Aérea do país. Ele teria recebido pedidos para interceder em favor da empresa de Dirísio na Direccion de Material Belico, órgão militar de controle de armas.

Outros militares paraguaios que trabalham no órgão são alvo da investigação, entre eles uma capitã, um coronel, um tenente e um general.

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