MTST denuncia assassinato de um de seus coordenadores pela polícia em Uberlândia

Daniquel Oliveira, coordenador da ocupação Fidel Castro teria sido morto em abordagem policial enquanto fazia reparo em uma rede elétrica

O coordenador do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto) Guilherme Boulos usou suas redes sociais nesta quinta-feira 5 para denunciar o assassinato do coordenador do movimento em Uberlândia. Segundo Boulos, Daniquel Oliveira, 41 anos, “foi friamente executado por policiais” nesta madrugada.

Daniquel Oliveira era um dos coordenadores da ocupação Fidel Castro, em Uberlândia, que reúne um total de três mil pessoas. Segundo informações obtidas com o coordenador nacional do movimento, Josué Rocha, e com o coordenador estadual de Minas Gerais, Jairo dos Santos Pereira, a vítima fazia um reparo na rede de energia da ocupação, juntamente com mais três pessoas da comunidade.

Ainda de acordo com os relatos, a polícia chegou atirando contra o grupo durante uma abordagem iniciada por volta das 23h40 da quarta-feira 4. O grupo tentou se evadir do local. Duas pessoas conseguiram escapar, uma terceira foi presa e Daniquel só foi encontrado por integrantes do movimento no IML, já na madrugada de quinta-feira.

“Ele foi atingido por um tiro na região traseira do crânio. Seu corpo tem marcas de algemas, escoriações visíveis, seus dentes estão quebrados”, afirmou Pereira. Daniquel deixa uma filha de seis anos.

Há registros de uma manifestação feita pela comunidade da ocupação depois da morte do coordenador, que teria bloqueado a BR-050 em forma de protesto. O movimento teria sido reprimido pela PM e ao menos três pessoas teriam ficado feridas.

O MTST soltou uma nota após o ocorrido. Leia na íntegra:

Na madrugada do dia 5/3 a PM de Minas Gerais executou covardemente, com um tiro na nuca, o companheiro Daniquel Oliveira dos Santos.

Daniquel era coordenador da ocupação Fidel Castro, organizada pelo MTST em Uberlândia há 3 anos. Responsável pela infraestrutura da ocupação, Daniquel foi alvejado depois de subir em um poste de uma das casas.

Estão querendo criminalizar nosso movimento apontando que havia arma com Daniquel. O que é uma mentira. Até quando a polícia continuará nos perseguindo, perseguindo nossos militantes, até quando tamanha covardia com nossa luta?

Revoltados com tamanha covardia, os moradores da ocupação Fidel Castro bloquearam nessa manhã a BR-050 em protesto. Por sua vez, a sanguinária PM/MG reprimiu a manifestação com bombas e balas de borracha, ferindo 3 pessoas.

É inadmissível que um trabalhador que luta pelo direito básico à moradia seja assassinado de maneira tão cruel e fria por um agente de segurança pública. O MTST expressa seu mais profundo repúdio à PM de MG e à política de criminalização da pobreza levada a cabo pelo governador Romeu Zema.

Não é com tiro que irão interromper a luta do povo brasileiro.

Daniquel era e será exemplo para os lutadores sem-teto por sua dedicação à luta e à coletividade. Milhares de lutadores como ele seguirão em frente, para que essa injustiça jamais seja esquecida.

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