Economia

IBGE: Brasil tem 10,9 milhões de jovens que não estudam, nem trabalham

Grupo é conhecido como ‘nem-nem’; situação atinge um em cada cinco brasileiros entre 15 e 29 anos

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
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Um em cada cinco jovens de 15 a 29 anos não estudavam nem trabalhava em 2022. O grupo conhecido como ‘nem-nem’ (composto por aqueles que não estudam e não trabalham) totalizou mais de 10,9 milhões de jovens, representando 22,3% dos brasileiros na faixa etária.

Os dados são da Síntese de Indicadores Sociais (SIS) 2023, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira 6.

Deste total de ‘nem-nem’, 43,3% eram mulheres pretas ou pardas, 24,3% eram homens pretos ou pardos, 20,1% eram mulheres brancas e apenas 11,4% eram homens brancos.

Os dados ainda revelam que em 2022, 4,7 milhões de jovens não procuravam emprego nem gostariam de trabalhar.

Deste grupo fazem parte mais de 2 milhões de mulheres responsáveis por cuidar dos afazerem doméstico ou de parentes.

Os resultados da pesquisa mostram um risco alarmante de vulnerabilidade juvenil, reconhecida como mais preocupante que a taxa de desocupação, uma vez que esses jovens não estão nem ganhando experiência laboral, nem qualificação, o que pode comprometer suas possibilidades ocupacionais no futuro.

Do total de 10,9 milhões de jovens que não estudam e não estão ocupados, 61,2% eram pobres. Entre esses jovens não estudavam nem estavam ocupados pobres, 47,8% eram mulheres pretas ou pardas.

Educação Infantil

Os dados ainda mostram que entre 2019 e 2022 o Brasil não avançou na meta de universalização da educação infantil.

A frequência escolar das crianças com 4 e 5 anos de idade (no início da obrigatoriedade da educação básica) recuou 1,2 ponto percentual no período, passando de 92,7% para 91,5%.

“Esses resultados indicam que a pandemia de COVID-19 prejudicou a garantia de acesso à escola. Esse prejuízo ainda não foi revertido em 2022, mais de dois anos depois dos primeiros casos de Covid no Brasil”, avalia Betina Fresneda, analista da pesquisa.

Os dados ainda mostraram um atraso escolar pós-pandêmico. Entre os acima de 6 anos, a taxa das crianças que ingressaram no ensino fundamental caiu de 81,8% em 2019, para 69% em 2022.

Além de não estarem na escola, o percentual de alunos no segundo ano do ensino fundamental com a alfabetização completa recuou de 60,3% em 2019, para 43,6% em 2021.

O estudo ainda mostrou que o Brasil está muito longe de alcançar o nível de educação média dos países da OCDE.

A proporção de brasileiros com 25 a 64 anos de idade que não concluíram a educação básica obrigatória é de 41,5%, mais do que o dobro observado em integrantes do bloco, com o percentual médio de 20,1%.

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