O episódio aconteceu na comemoração da Páscoa em Ouro Preto, onde os tapetes de serragem são uma tradição

Guarda destrói homenagem a Marielle e diz que liberdade não é absoluta

O episódio aconteceu na comemoração da Páscoa em Ouro Preto, onde os tapetes de serragem são uma tradição

Guarda destrói homenagem a Marielle e diz que liberdade não é absoluta

Sociedade

Está circulando pelas redes sociais, nesta segunda-feira 22, um vídeo em que um Guarda Municipal de Ouro Preto destrói, aos chutes, uma homenagem feita de serragem a Marielle Franco, vereadora da cidade do Rio de Janeiro que foi brutalmente assassinada há um ano.

Em nota, a corporação mineira confirmou a atuação do guarda e disse que houve a destruição de desenhos de cunho político. “A liberdade de expressão não é absoluta, ainda mais quando outros direitos estão sendo afetados”, disse. Em momento algum a nota deixa claro quais seriam esses outros direitos afetados.

Pessoas que estavam no local protestaram contra a atitude do guarda. Um homem ameaçou chamar o padre responsável pelo desfile alegando ser liberdade de expressão. Em 2018 um episódio parecido ocorreu quando um agente também foi filmado desmanchando os tapetes com os pés. A ação foi justificada como uma orientação da prefeitura e da paróquia para evitar manifestações políticas.

 

 

Os tapetes de serragem fazem parte da comemoração da Semana Santa na cidade história de Ouro Preto. Tradicionalmente os fieis produzem as obras com serragens para realizar a procissão da Páscoa. O incêndio na Catedral de Notre-Dame, em Paris, e o desastre com a barragem da Vale, em Brumadinho (MG), também foram temas dos tapetes de serragem neste ano, em Ouro Preto.

Veja na íntegra a nota da Guarda Municipal:

O Comando da Guarda Civil Municipal vem publicamente agradecer a todos que contribuíram direta e indiretamente para a gloriosa Semana Santa de Ouro Preto, em especial aos guardas, polícias que bravamente mantiveram a ordem do princípio ao fim.

Quanto ao episódio onde os agentes municipais desmancham desenhos de cunho político entre outros que nenhuma relação possuem com os “tapetes devocionais”, informamos que a liberdade de expressão não é absoluta ainda mais quando outros direitos estão sendo afetados.

O recado já foi dado em 2018, em 2019 não foi diferente. Respeitem Ouro Preto, nossas tradições. Vale salientar que os guardas só desmancharam os tapetes com os pés, porque não tínhamos outro instrumento”.

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Repórter do site de CartaCapital

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