Governo corta Bolsa Família de 158 mil famílias em meio à crise do coronavírus

Levantamento de março mostra que programa sofreu cortes majoritários no Nordeste mesmo com crise do coronavírus

Cartão do benefício do Bolsa-Família. Foto: Governo do Piauí

Cartão do benefício do Bolsa-Família. Foto: Governo do Piauí

Saúde,Sociedade

A epidemia de coronavírus, que já chegou fortemente ao Brasil, não impediu que o Ministério da Cidadania tirasse famílias carentes do programa Bolsa Família. E não foram poucas: 158 mil benefícios foram cortados no mês de março, revelou o portal UOL, e mais de 61% estavam na região com mais famílias vulneráveis do País, o Nordeste.

De acordo com o detalhamento do pagamento divulgado pelo próprio Ministério, o benefício médio concedido aos inscritos no mês de março foi de R$ 191,86 – menos do que o “voucher” que o Ministério da Economia anunciou para auxiliar trabalhadores informais em tempos de coronavírus, que chegará, caso aprovado, aos R$ 200 mensais.

Na divulgação, também foi anunciado que “mais de 330 mil famílias foram emancipadas do programa por apresentarem melhora de condições financeiras”, mas a pasta não detalha sobre os cortes mais acentuados no Nordeste. A região, segundo o balanço do pagamento, ainda é a que tem mais municípios atendidos.

Não é a primeira vez, porém, que as contas do Bolsa Família no governo Bolsonaro demonstram que o programa está sob perigo. Um levantamento inédito feito pela CartaCapital mostrou, em janeiro, que 3,6 milhões de famílias pobres ou miseráveis estavam fora da cobertura do programa, um número ocultado até então pelo governo.

Pouco tempo depois, o então ministro da Cidadania, Osmar Terra, foi demitido e substituído por Onyx Lorenzoni, que saiu da Casa Civil. Lorenzoni, em fevereiro, anunciou que 185 mil famílias seriam incluídas no programa já em março, número confirmado pelo Ministério este mês – o que explica o saldo final do número de pessoas cortadas.

Em relação ao coronavírus, o programa está incluso na injeção de R$ 147,3 bilhões que o governo pretende implementar além dos “vouchers”. Segundo divulgado, cerca de 1,2 milhão de famílias seriam beneficiadas. Resta aguardar a liberação dos recursos nos próximos meses.

Programa chave no combate à miséria no Brasil, o Bolsa Família atende às famílias que vivem em situação de extrema pobreza, com renda per capita de até R$ 89 mensais, e pobreza, com renda entre R$ 89,01 e R$ 178 mensais.

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