Sociedade

Castro chama de ‘vagabundos’ os mortos na Chacina do Jacarezinho

Ele defendeu a derrubada de um monumento inaugurado na favela para homenagear as vítimas da mais letal operação policial do Rio

Foto: Rafael Campos/GOVRJ
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O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), chamou de “vagabundos” as vítimas da Chacina no Jacarezinho, em maio de 2021. 28 pessoas morreram naquela que foi a operação policial mais letal do Rio.

Dos 28 mortos, um era policial: André Leonardo de Mello Farias. Ao exaltá-lo nesta segunda-feira 30, Castro defendeu a derrubada de um monumento inaugurado na favela do Jacarezinho para homenagear os mortos na chacina.

“Cada policial que eu perco, eu perco duas vezes. Por isso que aquele memorial lá, nós tombamos ele. O nome do André não merece estar no meio de 27 vagabundos”, afirmou o governador em pronunciamento. “O único herói que merecia um memorial é o André com seu filho, da idade do meu, que chora até hoje.”

O memorial consistia em uma parede com cerca de 1,7m de altura e 1,5m de largura, pintada de azul, onde foram fixadas placas com os nomes dos 28 mortos. O monumento ficava em uma calçada, paralelo à rua, construída de forma a não impedir a circulação de pessoas ou veículos.

Em 12 de maio, porém, cerca de dez policiais, com coletes à prova de bala, retiraram as placas com pés-de-cabra e amarraram a construção com uma corda ao caveirão, que quebrou a parede.

O Observatório Cidade Integrada, que reúne organizações sociais com atuação nas favelas e foi um dos responsáveis pela construção do memorial, divulgou uma nota lembrando que a inauguração do monumento fez parte das atividades promovidas no Jacarezinho.

O texto reforça que as operações da chamada “guerra às drogas” fazem vítimas civis e entre os policiais nas incursões, “que só têm como foco territórios pobres e negros”.

“Enquanto a violência for a única resposta do Estado às populações vulnerabilizadas, a sociedade civil continuará se articulando em prol dos direitos humanos para defender estes espaços. Entretanto, acreditamos que isso deverá ser feito através do diálogo e construção de políticas públicas em conjunto com instituições como a Defensoria Pública, como fizemos até o momento.”

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