Carlos Bolsonaro exalta Rambo e insinua que se masturbou com revista de Thammy

Em entrevista ao podcast 'Ninguém Se Importa', vereador diz que filho de Gretchen era 'sonho de consumo' e que 'cometeu um erro'

Foto: Renan Olaz/CMRJ

Foto: Renan Olaz/CMRJ

Sociedade

O vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ) afirmou que o filho da cantora Gretchen, o ator Thammy Miranda, teria cometido um erro ao deixar de ser uma mulher “linda” para se tornar um homem “feio” e falou sobre o ensaio publicado na revista Sexy, em 2001. As declarações ocorreram durante participação no podcast Ninguém Se Importa, publicado nesta quarta-feira 24.

Na conversa, um dos apresentadores do programa pergunta ao parlamentar: “Carlos, como você se sente vendo a filha da Gretchen imitando você 24h por dia?”, em referência às comparações feitas por internautas sobre as semelhanças de Thammy e o filho do presidente da República.

Em resposta, Carlos dá risada: “Rapaz, eu já fui questionado uma vez assim. Falei assim, cara, como é que essa menina, quando eu tinha 17 anos, ela era o sonho de consumo da molecada”. O apresentador interfere: “Era gostosa”. Outro entrevistador dispara: “Nossa, ‘descasquei’ demais com a Sexy dela, meu Deus do céu”. ” O vereador, então, emenda “É rapaz, pô, não é só você não, cara”, e dá longa gargalhada. O primeiro apresentador diz: “O que eu tocava de bronha…”.

Em seguida, o parlamentar questionou a transgeneridade do filho de Gretchen. “Eu não sei porque motivos ela tomou essa atitude. A gente tem que respeitar. Mas eu acho que ela cometeu um erro, porque ela era linda. E quer ficar feio igual a mim? Para mim, é um erro. Então, a gente leva isso na brincadeira, não tem problema nenhum.”

Um dos apresentadores prosseguiu com a zombaria e disse que o vereador deveria doar sêmen para que Thammy tenha um filho seu. “Ela falou que queria ser mãe, ou pai, sei lá o quê que é. A gente tinha que dar a ideia de você ser o doador do sêmen, né? Dar a continuação perfeita”. Carlos respondeu: “Ali não fui eu não. Se nascer um moleque parecido comigo, é porque parece com ela, não é comigo não.”

Não foi o único comentário de Carlos sobre gênero e sexualidade durante a entrevista. Logo no início da conversa, o vereador exaltou filmes como Rambo e Stallone: Cobra e acusou o cinema atual de “conluio internacional” contra o que chamou de “sentimento de homem”.

“No final das contas, era sempre uma mensagem bacana. O melhor disso tudo é que colocava uma mensagem de natureza do homem, sem ser agressiva. Mas, infelizmente, hoje em dia, todo o mercado audiovisual, há um conluio internacional para que façam com que esse sentimento de homem… É lógico que não é agressão, pancada, porradaria. Mas o sentimento de reagir, de se colocar como homem de verdade, de encarar os problemas, parece que é crime”, diz o vereador. Um apresentador completa: “É claramente uma guerra contra o homem, cara”.

Condição LGBTQI+ é “doença mental”

Carlos também aproveitou a oportunidade para se manifestar contra a “sexualização das crianças nas escolas”. Segundo ele, há um sistema de dominação que tenta manipular pessoas a partir da infância, no ambiente escolar.

“Você cria galinhas que não resistem às imposições do sistema. Nada disso é sem querer. Quando a gente fala em sexualização das crianças nas escolas, ‘ai, é um absurdo’. Não, não é um absurdo. É uma jogada extremamente inteligente, para que você, a partir da infância, consiga já startar o domínio da cabeça da criança, e levar aquele manipulado adiante, a serviço do governo”, comentou.

Em outro momento, ele debocha da sigla da comunidade LGBTQI+.

“Fazem essa confusão proposital. ‘Ah, você é contra o gay, você é contra…’. Tem até uma sigla nova agora, LGBTKYXZ, mais, menos, não sei o que lá”, diz o vereador. Um apresentador ironiza: “É impossível se pronunciar”. Outro apresentador comenta: “A gente pode resumir como doença mental”.

Carlos, então, completa: “Se o cara quiser ser, não tem problema nenhum. Mas ensinar para as crianças é um absurdo. E a gente entende que isso é um plano de dominação”.

Ao fim da entrevista, um dos apresentadores pede colaboração financeira dos ouvintes e diz que o valor arrecadado servirá para “tomar uísque de qualidade e transar mulheres semialfabetizadas”. O podcast está hospedado nas plataformas Spotify e SoundCloud.

Junte-se ao grupo de CartaCapital no Telegram

Um minuto, por favor...

Obrigado por ter chegado até aqui. Combater a desinformação, as mentiras e os ataques às instituições custa tempo e dinheiro. Nós, da CartaCapital, temos o compromisso diário de levar até os leitores um jornalismo crítico, alicerçado em dados e fontes confiáveis. Acreditamos que este seja o melhor antídoto contra as fake news e o extremismo que ameaçam a liberdade e a democracia.

Se você acredita no nosso trabalho, junte-se a nós. Apoie, da maneira que puder. Ou assine e tenha acesso ao conteúdo integral de CartaCapital!

Compartilhar postagem