Sociedade

Brasileiros repatriados da Faixa de Gaza chegam ao Brasil

São 22 brasileiros de nascimento, sete palestinos naturalizados brasileiros, três palestinos familiares próximos

Brasileiros retornaram ao país após mais de 30 dias de espera. Foto: CanalGov/Reprodução
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Após mais de um mês de pressão do Itamaraty e recusas por parte de Israel em liberar a passagem de Rafah, o grupo de 32 pessoas que aguardava repatriação em Gaza chegou ao Brasil na noite desta segunda-feira 13. O avião fez uma parada técnica em Recife (PE) e depois aterrissou em Brasília.

Eles foram recebidos pelo presidente Lula (PT), pela primeira-dama Janja, os ministros Mauro Vieira (Relações Exteriores), Flávio Dino (Justiça), Silvio Almeida (Direitos Humanos) e outras autoridades.

“Aos 78 anos de idade já vi muita brutalidade, muita violência, mas eu nunca vi uma violência tão bruta, tão desumana contra inocentes. Porque, se o Hamas cometeu um ato de terrorismo e fez o que fez, o estado de Israel também está cometendo vários atos de terrorismo ao não levar em conta que as crianças não estão em guerra, as mulheres não estão em guerra”, disse Lula após a chegada do avião.

Comitiva do governo recebeu os brasileiros repatriados. Foto: CanalGov/Reprodução

O ministro Mauro Vieira reforçou o trabalho da diplomacia brasileira na repatriação dos brasileiros. “Vamos continuar trabalhando através das embaixadas em Hamala, Tel Aviv e no Cairo para localizar outros brasileiros que estejam na região e queiram voltar”, afirmou.

Vieira disse ainda o Itamaraty vai continuar trabalhando no Conselho de Segurança das Nações Unidas para negociar uma pausa humanitária para que possam sair os feridos e os reféns.

São 22 brasileiros de nascimento, sete palestinos naturalizados brasileiros, três palestinos familiares próximos. Sendo 17 crianças, nove mulheres e seis homens.

A jornada de repatriação foi marcada por momentos de tensão, angústia e terror. Ao todo foram sete listas até este grupo conseguir autorização para sair da zona de guerra.

Fechamento da fronteira e ataques de Israel

Mesmo com a inclusão, a aflição não terminou, já que os brasileiros ainda tiveram que aguardar. A fronteira de Rafah, em Gaza, para o Egito foi fechada no sábado 4 após ataque a ambulâncias, que deixou vários palestinos mortos e feridos.

A fronteira permaneceu fechada nos dias seguintes por razões de segurança. Na sexta-feira 10, ataques aéreos de Israel atingiram ao menos três hospitais na Faixa de Gaza e mantiveram a fronteira fechada.

Em uma fala durante a tarde desta segunda, o presidente Lula, que se envolveu diretamente na liberação, reforçou a dificuldade em conseguir a liberação dos brasileiros e fez críticas a Israel.

“Nós estamos trazendo porque foi possível liberar, com muito sacrifício, porque dependia da boa vontade de Israel, dependia da quantidade de pessoas que a gente não sabia. Todo dia ligava de manhã e de tarde. Ligava com o ministro de Israel, ligava com o ministro do Egito, ligava pro nosso embaixador”, disse o presidente.

Próximos passos

Na chegada ao Brasil, o governo federal tem uma operação de acolhimento preparada, que vai oferecer serviços de abrigo, documentação, alimentação, apoio psicológico, cuidados médicos e imunização.

O secretário nacional de Justiça do Ministério da Justiça e Segurança Pública, Augusto de Arruda Botelho, informou que alguns repatriados têm familiares no Brasil, enquanto outros serão acolhidos em um local no interior de São Paulo, disponibilizado pelo governo.

Do total, 24 pessoas serão levadas em um avião da Força Aérea Brasileira até São Paulo, na quarta-feira 15. Delas, 12 serão encaminhadas aos familiares.

As outras 12 serão levadas ao abrigo que o governo Lula disponibilizará no interior paulista.

As demais devem seguir em voos comerciais: duas para Florianópolis (SC), uma para Cuiabá (MT) e uma para Novo Hamburgo (RS). Quatro pessoas ficarão em Brasília, pois têm familiares na região.

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