Sociedade

Apresentador que propôs “campo de concentração” para doentes por coronavírus é suspenso

Jornalista defendeu que a medida fosse instaurada via decreto por Bolsonaro, e que os governadores que descumprissem fossem presos

Marcão do Povo, apresentador do SBT - Foto: Redes Sociais
Apoie Siga-nos no

O jornalista Marcão do Povo, que apresenta o programa Primeiro Impacto, no SBT, foi suspenso pela emissora nesta quarta-feira 8, após sugerir campos de concentração para pessoas com sintomas ou contaminadas por coronavírus. As informações são da coluna do jornalista Mauricio Stycer, no UOL. O apresentador será substituído por Dudu Camargo e Márcia Dantas.

Ainda de acordo com a coluna, a diretoria do SBT se pronunciou em nota e pediu desculpas pelo comentário de Marcão do Povo, que causou forte reação nas redes sociais. “Sinceramente lamentamos que o apresentador tenha usado nossa plataforma de modo que contraria tão profundamente os nossos princípios. A todos que de alguma forma possam ter se ofendido ou mesmo se indignado com as opiniões pessoais do apresentador, nossas mais sinceras desculpas.”

Entenda o caso

Durante seu programa ao vivo, o apresentador sugeriu que o presidente Jair Bolsonaro pensasse em um campo de concentração para alocar as pessoas com sintomas ou já confirmadas para coronavírus. “Não seria interessante que o Exército, a Marinha e a Aeronáutica montassem um campo de concentração, de cuidados, com equipamentos mais sofisticados, com os melhores profissionais e colocar essas pessoas com problemas?”

O apresentador ainda orienta que a medida seja feita por decreto, pelo presidente, que deveria colocar as forças nacionais na rua para prender, por exemplo, governadores que descumprirem a medida. “Aí o comércio abre e todo mundo vai trabalhar normalmente”, complementa.

Segundo o âncora, essa seria a forma para não propagar o vírus, evitar gastos excessivos e não parar as cidades. “Isso acaba, senhor presidente, com esse negócio de ter que espalhar dinheiro para os estados. Tem estado que quase não teve nada, um caso lá, nem sequer foi comprovado, a pessoa nem está internada, e o estado decretou calamidade”.

O jornalista ainda cita o estado de Tocantins e diz que o território tem apenas um caso. No entanto, embora não haja registro de mortes no estado, há 19 casos confirmados de coronavírus na região, segundo balanço recente do Ministério da Saúde.

A resposta do SBT

Confira abaixo a íntegra do comunicado do SBT sobre o caso:

Ontem, durante a exibição do programa jornalístico Primeiro Impacto, o apresentador Marcos Paulo Ribeiro de Morais, popularmente conhecido como Marcão do Povo, se utilizou do espaço em nosso jornal para expressar uma opinião de cunho pessoal que dizia respeito ao tema tão delicado que o mundo e nosso país atravessam: a COVID-19.

Gostaríamos de esclarecer ao público, às autoridades, àqueles que estão na linha de frente ao combate incessante da pandemia e, em especial, às pessoas vitimadas, que de forma alguma a opinião expressada pelo apresentador reflete o pensamento, a atitude e o respeito que a emissora tem pelo momento atual. Temos total consciência da relevância do assunto e temos, a todo momento, nos preocupado em informar e esclarecer de forma isenta e imparcial os acontecimentos e as providências que as autoridades e todos brasileiros estão adotando para vencermos essa enorme crise de saúde já presente, e a econômica que se avizinha.

Desta forma, sinceramente lamentamos que o apresentador tenha usado nossa plataforma de modo que contraria tão profundamente os nossos princípios. A todos que de alguma forma possam ter se ofendido ou mesmo se indignado com as opiniões pessoais do apresentador, nossas mais sinceras desculpas.

Nossos profissionais de Jornalismo seguirão na dura missão de bem informar, sempre preocupados com o bem estar de todos os brasileiros.

O apresentador foi suspenso de suas funções.

Respeitosamente,

A Diretoria

ENTENDA MAIS SOBRE: , , ,

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo

Apoie o jornalismo que chama as coisas pelo nome

Depois de anos bicudos, voltamos a um Brasil minimamente normal. Este novo normal, contudo, segue repleto de incertezas. A ameaça bolsonarista persiste e os apetites do mercado e do Congresso continuam a pressionar o governo. Lá fora, o avanço global da extrema-direita e a brutalidade em Gaza e na Ucrânia arriscam implodir os frágeis alicerces da governança mundial.
CartaCapital não tem o apoio de bancos e fundações. Sobrevive, unicamente, da venda de anúncios e projetos e das contribuições de seus leitores. E seu apoio, leitor, é cada vez mais fundamental.
Não deixe a Carta parar. Se você valoriza o bom jornalismo, nos ajude a seguir lutando. Assine a edição semanal da revista ou contribua com o quanto puder.

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo