Cultura

Após críticas, Vai-Vai nega ataque ou provocação a policiais em desfile no Carnaval

A apresentação foi alvo de repúdio de delegados de polícia. A escola afirmou ter feito uma crítica à exclusão de manifestações culturais como o hip hop

Foto: Reprodução
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A escola de samba Vai-Vai reagiu nesta sexta-feira 16 às críticas recebidas desde sua apresentaçaõ no Carnaval de São Paulo. Na ocasião, havia uma ala na qual desfilaram pessoas fantasiadas de policiais, usando capacetes com chifres e asas vermelho-alaranjadas, fazendo alusão a demônios.

A agremiação nega que tivesse a intenção de promover qualquer tipo de ataque individualizado ou provocação. Após o desfile, a escola foi alvo de repúdio de delegados de polícia e pedidos de deputados por alguma punição.

Em publicação nas redes sociais, a Vai-Vai ressaltou ter levado à avenida o enredo Capítulo 4, Versículo 3 – Da rua e do povo, o Hip Hop – Um manifesto paulistano.

“Como o próprio nome diz, tratou-se de um manifesto, uma crítica ao que se entende por cultura na cidade de São Paulo, que exclui manifestações culturais como o hip hop“, justificou a escola. “O desfile homenageou artistas excluídos, que nunca tiveram seu talento e notadamente reconhecido.”

A agremiação explicou que o desfile ofereceu alguns recortes históricos, mencionando a Semana de Arte Moderna de 1922 e o lançamento do álbum Sobrevivendo no Inferno, dos Racionais MCs, de 1997.

“Ou seja, a ala retratada no desfile de sábado, à luz da liberdade e ludicidade que o Carnaval permite, fez uma justa homenagem ao álbum e ao próprio Racionais Mcs, sem a intenção de promover qualquer tipo de ataque individualizado ou provocação.”

A Vai-Vai pontuou ainda que, no recorte histórico da década de 1990, a “segurança pública no estado de São Paulo era uma questão importante e latente, com índices altíssimos de mortalidade da população preta e periférica”.

Também afirmou ser de conhecimento público que os precursores do movimento hip hop no Brasil eram marginalizados e vítimas de repressão, “sendo presos, muitas vezes, apenas por dançarem e adotarem um estilo de vestimenta considerado inadequado pra época'”.

“O que a escola fez, na avenida, foi inserir o álbum e os acontecimentos históricos no contexto que eles ocorreram, no enredo do desfile. Existimos. Resistimos. E seguimos fazendo carnaval!”, finalizou a agremiação.

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