Recuperado, David Uip dá depoimento e reforça: ‘Coronavírus não é brincadeira’

'Aqueles que estão subestimando, eu desejo ardentemente que não adoeçam', disse chefe do Centro de Contingência do Coronavírus

Médico infectologista David Uip (Foto: Governo de SP)

Médico infectologista David Uip (Foto: Governo de SP)

Saúde

No meio do anúncio de que a quarentena no estado de São Paulo seria prorrogada até o dia 22 de abril, uma figura já conhecida nacionalmente por sua atuação na infectologia voltava a ocupar um microfone entre os membros da equipe técnica de saúde de São Paulo. David Uip, médico e diretor do Centro de Contingenciamento do Coronavírus, estava afastado há duas semanas após ter sido diagnosticado com a covid-19, período que definiu como “angustiante” e de “extremo sofrimento” pelos sintomas e pelo isolamento que a doença prevê.

Visivelmente emocionado, Uip pediu a palavra ao governador João Doria (PSDB) para contar sua experiência como paciente, desta vez. “Há dois domingos, me senti muito mal. O pessoal da televisão quis me entrevistar, mas não consegui falar. Eu estava extenuado. Fiquei sentado em uma cadeira e, pela primeira vez na vida, me neguei a falar com uma emissora de TV.”, disse o infectologista.

 

“De domingo para segunda, passei muito mal. A semana que se seguiu foi de extremo sofrimento, e, na segunda seguinte, eu voltei a fazer a tomografia – nessa tomografia, apareceu a pneumonia. […] Foi muito angustiante. É você ir dormir não sabendo como ia acordar. Felizmente, Deus me ajudou e eu venci a quarentena. E eu queria dizer pra vocês e não é fácil ficar isolado, é de extremo sofrimento, mas absolutamente fundamental. Eu tive que me reinventar, seguramente mais humilde e sabendo dos limites da vida”, continuou o médico, que ressaltou que o isolamento, no momento, era a chave para diminuir a contaminação da população e o colapso do sistema de saúde.

“Eu quero fazer esse depoimento muito mais como paciente do que como médico. Quem vai sair vivo serão os indivíduos atendidos em estruturas hospitalares bem equipadas. Isso é claríssimo. Por favor, aqueles que estão subestimando, achando que não é nada, ou que é pouco, eu desejo ardentemente que não adoeçam. É um sofrimento muito grande.”, disse o médico, que afirmou que irá voltar a atender pacientes neste momento, já que agora ele não deve ser contaminado novamente. É possível conferir o discurso completo de Uip no link abaixo:

Nesta segunda, Doria declarou que a quarentena oficial do estado para o combate ao coronavírus será prorrogada até o dia 22 de abril, medida que deverá ser publicada no Diário Oficial do estado na terça-feira. O primeiro decreto assinado por Doria que restringia a abertura de comércio e a circulação de pessoas em todos os municípios do estado seria válido até a terça-feira 07, mas, devido às recomendações médicas e sanitárias, houve a decisão de estender por mais 15 dias a medida oficial de restrição de contato social.

São Paulo é o estado mais atingido pela epidemia da Covid-19 até o momento. Segundo o Ministério da Saúde, já são 4.620 infectados e 275 óbitos registrados. No cenário nacional, a pasta contabiliza 11.130 casos e 486 mortes, sendo que apenas os estados do Tocantins e do Acre ainda não haviam registrado vítimas fatais até o domingo 05. Conforme projeção do Instituto Butantan, centro de pesquisas biomédicas vinculado à Secretaria de Estado da Saúde, a prorrogação da quarentena pode evitar 166 mil óbitos em São Paulo, além de 630 mil hospitalizações e 168 mil internações em UTIs.

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