“Não tenho medo de vírus, nem de estar no meio do povo”, diz Bolsonaro

Presidente contraria apelo do Ministério da Saúde e diz que vai continuar frequentando aglomerações

O presidente Jair Bolsonaro, em entrevista ao programa Brasil Urgente. Foto: Reprodução/Band

O presidente Jair Bolsonaro, em entrevista ao programa Brasil Urgente. Foto: Reprodução/Band

Política,Saúde

Um dia após baixar o tom em pronunciamento oficial na televisão, o presidente Jair Bolsonaro voltou a minimizar a gravidade do coronavírus em cadeia nacional. Bolsonaro afirmou que não tem medo da doença e que seguirá se juntando a aglomerações, a despeito das orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS).

A declaração ocorreu no programa Brasil Urgente, da emissora Bandeirantes. Perguntado pelo apresentador José Luiz Datena se aceitaria uma nova reunião com o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), Bolsonaro rebateu críticas sobre sua atuação como presidente da República.

“Ele o tempo todo me alfinetando aqui nas suas coletivas, ‘ah, o presidente não está à altura do seu cargo’, etc., etc. e etc. Olha, vou dizer para ele uma coisa. Eu vou para o meio do povo. Eu não tenho medo de vírus, nem de estar no meio do povo”, disse.

 

Bolsonaro disse ainda que “duvida” que Doria faça o mesmo, “afinal de contas, ele [Doria] cercou com grade a sua casa”. Segundo o presidente, há abertura para receber o governador em um novo encontro, mas somente se o tucano não quiser “aparecer” e “falar o que bem entender, como se fosse o presidente”.

Nem o próprio ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, abraça o discurso de Bolsonaro. Pouco antes da declaração do presidente, Mandetta pediu, em coletiva de imprensa, que haja redução nas aglomerações para conter a proliferação do vírus e, consequentemente, evitar a sobrecarga de hospitais e o desabastecimento de insumos.

Bolsonaro também voltou a equiparar preocupação com a economia à ocorrência de mortes pelo coronavírus. Segundo ele, é necessário “tratar da saúde e da vida”, mas deve-se avaliar uma forma de fazer as pessoas voltarem ao trabalho.

“A primeira linha é o seguinte. Temos que ter uma maneira de começar a fazer com que as pessoas voltem ao trabalho, aquelas que ainda têm, que não foram abatidas por essa onda de desemprego que aconteceu no momento. É isso com o que nós temos que nos preocupar”, disse.

O presidente, mais uma vez, comentou com naturalidade uma possível sucessão de óbitos pelo coronavírus e cogitou a morte de sua mãe, de 93 anos.

“Agora, vai morrer alguém? Vai, lamento. A minha mãe tá com 93 anos de idade, ali no Vale do Ribeira. Ela pode ser acometida pela idade dela, pela fragilidade, pelos problemas que ela tem de saúde. Ela vai ter dificuldade para vencer essa onda aí. Agora, tem que fazer opção. Cuida do teu ente querido mais velho, e vamos voltar ao trabalho, pelo menos, paulatinamente, num primeiro momento”, afirmou.

Responda nossa pesquisa e nos ajude a entender o que nossos leitores esperam de CartaCapital

Um minuto, por favor...

Obrigado por ter chegado até aqui. Combater a desinformação, as mentiras e os ataques às instituições custa tempo e dinheiro. Nós, da CartaCapital, temos o compromisso diário de levar até os leitores um jornalismo crítico, alicerçado em dados e fontes confiáveis. Acreditamos que este seja o melhor antídoto contra as fake news e o extremismo que ameaçam a liberdade e a democracia.

Se você acredita no nosso trabalho, junte-se a nós. Apoie, da maneira que puder. Ou assine e tenha acesso ao conteúdo integral de CartaCapital!

Repórter do site de CartaCapital

Compartilhar postagem