Convocação para Mais Médicos atrasa em meio à crise do coronavírus

Programa que leva atendimento a regiões miseráveis não tem data certa para liberar a lista dos 5 mil médicos previstos pelo edital

Foto: THOMAS SAMSON/AFP

Foto: THOMAS SAMSON/AFP

Saúde

Mesmo com a pandemia de coronavírus atingindo números cada vez mais altos de casos confirmados e mortes no Brasil, não há data prevista para que os médicos inscritos no último edital do programa Mais Médicos comecem a atuar. A justificativa foi um erro no processamento de dados internos do Ministério da Saúde, anunciado no último dia 31 de março. Nesta quinta-feira 02, porém, ainda não havia estimativa de quando os 5 mil profissionais anunciados seriam levados para as regiões mais carentes do País para auxiliar a população a encarar a Covid-19.

A lista da primeira chamada com os nomes dos profissionais que ingressaram no programa foi liberada no dia 29 de março de 2020, sob a supervisão da Secretaria de Atenção Primária à Saúde. No dia 31, ela foi anulada: segundo o Ministério, houve um “equívoco na base de dados aonde constava a relação dos médicos que possuem a Especialização em Saúde da Família”, que acabou por diminuir a quantidade de médicos que, de fato, possuíam a certificação.

De acordo com as regras do edital do Mais Médicos, possuir tal especialização ajuda o profissional a obter pontos no programa para ser convocado e ter prioridade em escolher em qual local ele irá atender. Para manter a “lisura do chamamento público”, o Ministério solicitou uma nova base de dados atualizada à Universidade Aberta do SUS, responsável por emitir o certificado.

Questionado sobre uma previsão de quando os profissionais selecionados seriam anunciados e enviados para atuação, o Ministério da Saúde respondeu que os editais sofreram alterações e que, “assim que possível”, disponibilizariam novas datas para as etapas do processo seletivo. A promessa inicial do governo era que eles estariam atuando no começo de abril, mas não parece existir certeza de que o prazo será mantido.

“Somente com o cumprimento das etapas do cronograma e com as publicações oficiais é que será possível acompanhar o número de médicos que atuarão nos municípios/DSEI (Distritos Sanitários Especiais Indígenas)”, disse a pasta.

O atraso vem em um momento de grande demanda por profissionais da área da saúde, especialmente para regiões carentes do País. O Mais Médicos tem como prioridade a destinação de médicos para atenderem em locais pobres e sem acesso à saúde pública, com foco na saúde da família. Segundo o próprio edital que foi adiado pelo governo, os profissionais convocados seriam encaminhados para as áreas com os maiores percentuais de extrema pobreza em cada estado, que são definidas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Há também o perigo iminente de falta de recursos humanos caso médicos e enfermeiros sejam infectados em massa pelo coronavírus. O ministro Luiz Henrique Mandetta determinou que os testes rápidos adquiridos recentemente pelo governo, por exemplo, sejam destinados a testarem primeiramente os profissionais que atuam nos hospitais.

“É um teste rápido, mas ele mede o anticorpo. Você teve a gripe, que pode ser de qualquer vírus e, no sétimo dia, a gente fala que a gripe que você está ou que já acabou era causada pelo coronavírus. Esse teste vai ser fundamental para a gente saber se aquela enfermeira, aquele médico ou o profissional de segurança, que teve uma gripe ou que está com uma gripe, testou positivo para coronavírus. Se sim, vamos tratar de um jeito. Se não, poderá retornar ao trabalho”, disse Mandetta.

Até mesmo estudantes da área da saúde foram convocados pelo governo a participarem do programa “O Brasil conta comigo”, que teve edital publicado no Diário Oficial da União na quarta-feira 01 e prevê bolsa de R$ 1045 para os que se disponibilizarem a participar do programa.

Um minuto, por favor...

Obrigado por ter chegado até aqui. Combater a desinformação, as mentiras e os ataques às instituições custa tempo e dinheiro. Nós, da CartaCapital, temos o compromisso diário de levar até os leitores um jornalismo crítico, alicerçado em dados e fontes confiáveis. Acreditamos que este seja o melhor antídoto contra as fake news e o extremismo que ameaçam a liberdade e a democracia.

Se você acredita no nosso trabalho, junte-se a nós. Apoie, da maneira que puder. Ou assine e tenha acesso ao conteúdo integral de CartaCapital!

É repórter do site de CartaCapital.

Compartilhar postagem