Conselho de Medicina autoriza uso da cloroquina, mas “não recomenda”

Permissão é prevista em três situações específicas, segundo parecer da entidade

O presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM), Mauro Luiz de Britto Ribeiro. Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

O presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM), Mauro Luiz de Britto Ribeiro. Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

Saúde

O Conselho Federal de Medicina (CFM) autorizou o uso da cloroquina no tratamento de pacientes infectados pelo novo coronavírus, mas estabeleceu critérios e reforçou que não há evidências científicas sólidas sobre a eficácia da droga no combate à doença.

Em parecer divulgado nesta quinta-feira 23, o CFM determinou três situações específicas em que a substância pode ser utilizada.

A primeira possibilidade é o caso de pacientes com sintomas leves, em início de quadro clínico, em que tenham sido descartadas outras viroses como influenza, H1N1 e dengue, e que exista diagnóstico confirmado de covid-19.

O segundo cenário é em pacientes com sintomas importantes, mas ainda sem necessidade de cuidados intensivos, com ou sem recomendação de internação.

A terceira condição é o caso do paciente crítico, que recebe cuidados intensivos, incluindo a ventilação mecânica. Nesta situação, o CFM lembra que é difícil imaginar que a cloroquina ou a hidroxicloroquina possam ter efeito clinicamente importante.

Em todas as possibilidades, o médico é obrigado a explicar ao doente que não existe nenhum trabalho científico, com ensaio clínico adequado, feito por pesquisadores reconhecidos e publicado em revistas científicas de alto nível, que comprove qualquer benefício do uso da droga.

Além disso, o profissional também deve explicar ao paciente os efeitos colaterais possíveis, obtendo o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido da pessoa contaminada, ou dos familiares quando for o caso.

“Diante da excepcionalidade da situação e durante o período declarado da pandemia, não cometerá infração ética o médico que utilizar a cloroquina ou hidroxicloroquina, nos termos acima expostos, em pacientes portadores da covid-19”, escreve o parecer do CFM.

Em entrevista à imprensa, o presidente da entidade, Mauro Luiz de Britto Ribeiro, destacou que o parecer não é uma “recomendação”, mas uma permissão. A declaração ocorreu após reunião com o presidente Jair Bolsonaro, em que o Conselho apresentou o seu posicionamento.

“Não é uma recomendação. O Conselho Federal de Medicina não recomenda o uso da hidroxicloroquina. O que nós estamos fazendo é dando ao médico brasileiro o direito de, junto com o seu paciente, em decisão compartilhada com o seu paciente, utilizar essa droga”, afirmou.

Segundo Britto Ribeiro, “não existe qualquer indicação” sobre o uso da hidroxicloroquina como forma de prevenção ao coronavírus.

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Repórter do site de CartaCapital

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