‘Chegamos a um patamar terrível e não há nenhuma tendência de cair’, diz sanitarista da Fiocruz

O Brasil registrou 1.641 mortes por Covid-19 nas últimas 24h; para Christovam Barcellos, o País precisa de uma 'coordenação nacional'

O centro de São Paulo no início de janeiro de 2021. Foto: Paulo Pinto/Fotos Publicas

O centro de São Paulo no início de janeiro de 2021. Foto: Paulo Pinto/Fotos Publicas

Saúde,Sociedade

O Brasil registrou, nas últimas 24 horas, 1.641 mortes por Covid-19, de acordo com boletim divulgado na noite desta terça-feira 2 pelo Conselho Nacional de Secretários de Saúde. Com isso, o total de vítimas fatais da doença no País chegou a 257.361.

De ontem para hoje, também foram confirmados 59.925 novos casos, levando o total oficial de infecções a 10.646.926. Em meio a esse cenário, o Brasil convive com a ameaça – ou a concretização – do colapso no sistema de saúde em diversos estados.

 

 

O cenário motivou a Fundação Oswaldo Cruz a divulgar uma nota técnica especial nesta terça, na qual conclui que, “pela primeira vez desde o início da pandemia, verifica-se em todo o País o agravamento simultâneo de diversos indicadores, como o crescimento do número de casos, de óbitos, a manutenção de níveis altos de incidência de SRAG [Síndrome Respiratória Aguda Grave], alta positividade de testes e a sobrecarga de hospitais”.

Em entrevista ao programa Direto da Redação, transmitido pelo canal de CartaCapital no YouTube, Christovam Barcellos, sanitarista e membro da coordenação do Observatório Fiocruz Covid-19, afirmou que a fila para internação nos hospitais “é a face mais visível da pandemia”.

“Temos 18 estados com superlotação de hospitais, principalmente de UTIs dedicadas a adultos com Covid-19”, afirmou. “Isso não deixa folga para atendimento de outras doenças que precisam também de internação”.

Os 18 estados na “zona de alerta crítica” (quando há ocupação superior a 80% nos leitos de UTI para Covid-19) são: Rondônia (97%), Acre (92%), Amazonas (92%), Roraima (82%), Pará (82%), Tocantins (86%), Maranhão (86%), Ceará (93%), Piauí (80%), Bahia (83%), Rio Grande do Norte (91%), Pernambuco (93%), Goiás (95%), Mato Grosso (89%), Mato Grosso do Sul (88%), Paraná (92%), Santa Catarina (99%) e Rio Grande do Sul (88%). No Distrito Federal, a ocupação é de 91%.

Barcellos acrescentou que, além de evitar  as aglomerações, o País precisa reforçar a capacidade do Sistema Único de Saúde, da atenção primária à testagem, passando pelo rastreamento de contatos. Questionado sobre a disparada nos casos e nas mortes, o especialista avaliou que houve no País um “relaxamento geral, não só do cidadão, mas dos governos e das empresas”.

“As pessoas se cansaram das medidas de isolamento, mas também houve um boicote, uma sabotagem de alguns governos e de algumas empresas, para se retomar o que eles chamam de ‘economia'”, declarou Barcellos, citando as festas de fim de ano, feriados como o carnaval e o período de férias. “Mas, se fossem só esses eventos, nós veríamos na curva de casos e óbitos um sobe-desce. Mas nós não estamos vivendo um sobe-desce. A gente disparou e está chegando a outro patamar terrível. Isso é muito grave e não tem nenhuma tendência de cair”.

Diante desse cenário, Christovam Barcellos alerta para a necessidade de uma “coordenação regional e nacional”, a fim de possibilitar a adoção de ações de impacto que realmente contribuam com a diminuição da propagação do novo coronavírus.

“Algumas medidas isoladas são louváveis, mas não são suficientes”, apontou. “Precisamos de um pacto, e isso envolve não só os governos locais, mas os governos estaduais e o governo nacional, se a gente conseguir comover as pessoas que estão no governo nacional”.

Assista à entrevista com Christovam Barcellos:

 

 

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