Bolsonaro ironiza infecções: “Brasileiro pula em esgoto e não pega nada”

'Não pega nem leptospirose', disse presidente, em declaração sobre coronavírus

O presidente Jair Bolsonaro, ao lado do presidente da Caixa Econômica Federal, Pedro Guimarães. Foto: Reprodução

O presidente Jair Bolsonaro, ao lado do presidente da Caixa Econômica Federal, Pedro Guimarães. Foto: Reprodução

Política,Saúde

Em alusão à infecção pelo novo coronavírus, o presidente Jair Bolsonaro disse que o brasileiro “tem que ser estudado” porque pula em esgotos e “não pega nada”. A declaração ocorreu nesta quinta-feira 26, durante coletiva à imprensa no Palácio da Alvorada em Brasília. Em seguida, ele repetiu a declaração em transmissão ao vivo pelas redes sociais.

Acompanhado do presidente da Caixa Econômica Federal, Pedro Guimarães, Bolsonaro incentivava o uso de cloroquina como alternativa para tratar pacientes graves de coronavírus. Depois, ironizou a crise.

“Eu fiz uma brincadeira, né, que o brasileiro tem que ser estudado. A gente vê, às vezes, em certas comunidades, dá uma chuva e o cara fica pulando no rio ali junto com o esgoto e o cara não pega nada. Nem leptospirose ele pega, não pega nada. Mas tudo bem”, afirmou.

Bolsonaro voltou a acusar a imprensa de ter plantado “histeria” no Brasil em função da pandemia. Em certo momento, disse que esqueceu o nome do novo vírus e pediu para que um assistente o relembrasse.

Ele também defendeu, novamente, o fim dos isolamentos em massa e defendeu o isolamento vertical, ou seja, a restrição de circulação apenas para os grupos de risco. A proposta é vista de forma crítica pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que afirmou que o governo, até agora, não propôs uma forma para proteger os idosos do contágio através de jovens que voltem à normalidade.

“Essa história de que ‘ninguém vai, vale para todo mundo’, tá chegando no desemprego”, disse. “Essa neurose de fechar tudo não está dando certo.”

Bolsonaro comparou ainda o isolamento em massa a um tratamento de quimioterapia que mata a própria vítima de câncer.

“Dá o equipamento de quimioterapia, eu queimo tudo, célula boa, célula ruim. O que acontece? Fica pior. É o que tá fazendo. Para combater o vírus, estão matando o paciente. Aí o pessoal fala: ah, o cara tá preocupado mais com a economia do que com a vida. Meu amigo, sem grana, tu morre de fome, cara. Morre de depressão, suicídio”, disse.

O presidente segue fazendo declarações em que menospreza a pandemia. Nesta semana, chamou a doença de “gripezinha” durante pronunciamento em cadeia nacional e pediu o fim da quarentena. No dia seguinte, o próprio ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, ajustou o seu discurso e disse que vê “grande colaboração” na preocupação exposta pelo presidente da República.

Posted by Jair Messias Bolsonaro on Thursday, March 26, 2020

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Repórter do site de CartaCapital

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