Bolsonaro deu pior exemplo durante pandemia de coronavírus, diz Doria

Governador criticou presidente por apoiar protestos de 15 de março; secretário de Saúde demonstrou surpresa com novas orientações da OMS

O governo de São Paulo não prevê testagem em massa na população de São Paulo. Foto: Governo de SP

O governo de São Paulo não prevê testagem em massa na população de São Paulo. Foto: Governo de SP

Política,Saúde

O governador João Doria rechaçou, nesta segunda-feira 16, o incentivo do presidente Jair Bolsonaro às manifestações contra o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal (STF) realizadas no domingo 15. Na ocasião, Bolsonaro apertou a mão e tirou fotos com apoiadores, desrespeitando recomendações do Ministério da Saúde e da Organização Mundial da Saúde (OMS) contra o coronavírus.

Em coletiva de imprensa, Doria disse que considerou a participação de Bolsonaro inadequada e o acusou de dar “mau exemplo” aos brasileiros durante a pandemia.

“Foi uma participação inadequada e um mau exemplo do presidente da República, mau exemplo como cidadão, mau exemplo como chefe de Estado, mau exemplo como chefe da Nação. Ele deveria ser o primeiro a dar o bom exemplo e não o mau exemplo como fez”, afirmou o tucano.

 

O governador pediu que o presidente seja sensível à crise e que tome a liderança para que o Brasil supere a disseminação da doença.

“É lamentável, eu lamento como brasileiro, lamento também como governador de São Paulo que o presidente do meu país não tenha sensibilidade em uma hora tão difícil da vida e da saúde de milhões de brasileiros e tenha dado o pior exemplo. Eu espero que ele tenha humildade, bom senso e orientação para, a partir de agora, liderar corretamente o processo de atendimento à saúde pública no seu país e dar bons exemplos ao invés de dar maus exemplos”, declarou.

Testagem em massa pode não ser o “mundo real”

Durante a coletiva, Doria voltou a recomendar a suspensão das atividades de instituições de ensino, como universidades públicas e particulares e escolas. Perguntado sobre como o país recebeu orientação da OMS em aplicar testes em massa para conter o vírus, o tucano se limitou a dizer que não é “presidente do Brasil”.

Segundo o secretário de Estado de Saúde, José Henrique German, o governo de São Paulo estava seguindo as orientações da OMS, mas a entidade “alterou a forma de trabalho com relação aos testes que devem ser realizados para diagnóstico”. A pasta afirmou que vai avaliar as novas recomendações e dar seguimento de acordo com a entidade.

“Nós não estávamos esperando por essa determinação”, disse German.

O infectologista David Uip, presente na coletiva, também se disse “surpreso” com as novas orientações da OMS. Segundo ele, não há previsão de que os testes sejam aplicados a todos em São Paulo e aguarda o posicionamento do ministro da Saúde. O Ministério da Saúde

“Por uma coincidência, ouvi a declaração da OMS e estou surpreso entre o mundo ideal e o mundo real. O mundo ideal é fazer o teste no maior número de pessoas. O mundo real talvez não seja esse. Nesse momento, se nós precisássemos fazer exames no estado de São Paulo, nós teríamos um número muito grande de testes. Uma coisa é disponibilizar testes, a outra é fazer os testes”, disse. “Existe uma decisão do ministro da Saúde, de ontem, que os testes devem ser feitos para indivíduos internados e para as clínicas sentinelas.”

O Brasil já ultrapassou 200 casos confirmados de coronavírus, com 1.913 suspeitos e 1.486 descartados. São Paulo já contabiliza 136 casos e registra transmissões comunitárias, em que não é possível identificar a trajetória de infecção do vírus.

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Repórter do site de CartaCapital

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