Bolsonaro critica governadores por “doses excessivas” de proteção contra coronavírus

O presidente classificou as ações de quarentena como politicagem e afirmou, contra o que disse seu ministro, que não haverá colapso na saúde

O presidente Jair Bolsonaro. Foto: Carolina Antunes/Agência Brasil

O presidente Jair Bolsonaro. Foto: Carolina Antunes/Agência Brasil

Política,Saúde

O presidente Jair Bolsonaro, em entrevista à CNN Brasil na noite do sábado 21, criticou governadores pelas ações mais restritivas em relação ao coronavírus, afirmou que eles estão fazendo política e, também, admitiu que repreendeu o ministro Luiz Henrique Mandetta, da Saúde, por ter dito que o sistema de saúde entraria em “colapso” – o que é negado, sem aparato técnico, pelo presidente.

Os poderes estaduais têm assumido a dianteira da crise, especialmente em São Paulo e no Rio de Janeiro, locais com mais casos e que concentra as mortes no País, que já chegam à dezoito. Segundo Bolsonaro, o governador João Doria, por exemplo, é um “lunático que está fazendo política” e que está se aproveito do momento para tal. No sábado, todo o estado de São Paulo entrou em quarentena oficial de 15 dias.

“São ações que extrapolam – uma dose excessiva do remédio, e remédio em excesso se torna um veneno”, argumentou o presidente, fazendo menção também aos líderes do Rio de Janeiro, Bahia, Piauí e Distrito Federal.

O presidente, que já chamou a crise do coronavírus de “histeria” e classificou a infecção, para ele, como “gripezinha”, disse que os governadores “irresponsáveis” também estão causando desemprego ao declararem a quarentena.

Joao Doria rebateu em suas redes sociais, mais tarde, a acusação do presidente. “Jair Bolsonaro chama coronavírus de gripezinha e eu que sou lunático? Lidere seu País, presidente. Faça seu papel. Os governadores do Brasil estão fazendo o seu”, escreveu.

Em relação à falas e medidas que Bolsonaro não quer que autoridades tomem, sobrou até para o ministro da Saúde Luis Henrique Mandetta, que havia afirmado que o sistema de saúde entraria em “colapso” nas próximas semanas – o que significa falta de leitos para atender a todos os contaminados pela Covid-19. Bolsonaro teria cobrado explicações do ministro e afirmou, mesmo sem respaldo técnico, que a o colapso não aconteceria.

“Num primeiro momento, eu tava achando que ele [Mandetta] tava exagerando. Ele foi questionado quando falou a palavra que não era adequada naquele momento, que era “colapso”. Uma população em depressão perde imunidade e fica mais propensa a ter sérias preocupações. Isso aí não é qualquer atrito”, finalizou, negando que esteja em crise com o ministro.

Para Bolsonaro, a esperança de “cura” está depositada em um remédio anunciado pelo presidente Donald Trump como eficaz no combate ao coronavírus. Apesar dos testes ainda estarem correndo, a hidroxicloroquina já é o grande anúncio do governo, que irá produzir mais dele a partir do Exército. “É um medicamento barato, devemos nos antecipar a isso”.

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