“As pessoas têm a falsa impressão de que o coronavírus não está em suas cidades”, diz David Uip

Infectologista respondeu sobre a necessidade de isolamento em cidades do interior de SP, que não registram tantos casos como a capital

(Foto: Governo de SP)

(Foto: Governo de SP)

Política,Saúde

O infectologista David Uip, que integra o Centro de Contingencia do Coronavírus de São Paulo, rebateu a críticas de que o isolamento social não é necessário em municípios do estado que apresentam poucos ou nenhum caso de coronavírus registrados. Com a ampliação da quarentena oficial até o dia 07 de maio, anunciada nesta sexta-feira 17, apenas os serviços essenciais têm permissão para abrirem em todos os municípios de SP.

Para Uip, as pessoas têm uma “falsa impressão” de que o vírus não está presente nos locais onde moram – e é justamente por essa análise que os casos passam a se multiplicar, como aconteceu no norte da Itália e nos Estados Unidos, novo epicentro da doença que já infectou mais de 2 milhões de pacientes e tirou cerca de 146 mil vidas no mundo todo.

“O vírus é invisível. As pessoas tem falsa impressão que ele não está em sua cidade. Nós não estamos inventando nada, estamos tendo a oportunidade de aprender com quem nos antecedeu na pandemia.”, disse o infectologista. “Eu fico surpreso que as pessoas não consigam entender o que já aconteceu. Olha o que aconteceu na Itália, nos EUA, na Turquia. Estamos tendo a oportunidade de nos antecipar em medidas de contenção, com medidas de isolamento, e depois na preparação do sistema público e privado na assistência a esses pacientes.”, complementou.

David Uip, que teve coronavírus e fez um relato de como a doença o acometeu e o afastou de suas funções, também explicou que existe um achatamento importante da curva das infecções em São Paulo, mas que ainda há necessidade de enfatizar o isolamento social em, idealmente, 60% da população. Na quinta-feira 16, o monitoramento do estado registrou 49% de isolamento.

Para ele, a mudança do “pico da doença” de abril para maio e junho, como estimado pelo Ministério da Saúde, reflete que o isolamento dá as respostas corretas para a crise.

“Isso reflete que as medidas tomadas foram efetivas. Se nós mantivermos as medidas de contenção e confinamento, se nós ampliarmos, melhores os resultados. 50% é um bom número, mas nosso objetivo é aumentar a cada dia. As pessoas não precisam acreditar, é só olhar o que aconteceu e está acontecendo.

No cenário político, o presidente Jair Bolsonaro encabeça a narrativa de que os estados e municípios devem reabrir o comércio o quanto antes, uma discordância com o campo científico que o levou a demitir seu ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, e substituí-lo pelo médico Nelson Teich, que promete ser mais alinhado aos desejos do presidente.

Para Bolsonaro, a contradição que sustenta, por mais que implique em um maior número de casos e de mortes, poderá ser um “preço político” que ele deverá pagar no futuro. “Essa briga de começar a abrir para o comércio é um risco que eu corro, porque se agravar a situação, vem para meu colo. Mas precisamos enfrentar isso”, afirmou na sessão de solenidade que admitiu Teich como novo chefe da pasta central do comando à epidemia.

Responda nossa pesquisa e nos ajude a entender o que nossos leitores esperam de CartaCapital

Um minuto, por favor...

Obrigado por ter chegado até aqui. Combater a desinformação, as mentiras e os ataques às instituições custa tempo e dinheiro. Nós, da CartaCapital, temos o compromisso diário de levar até os leitores um jornalismo crítico, alicerçado em dados e fontes confiáveis. Acreditamos que este seja o melhor antídoto contra as fake news e o extremismo que ameaçam a liberdade e a democracia.

Se você acredita no nosso trabalho, junte-se a nós. Apoie, da maneira que puder. Ou assine e tenha acesso ao conteúdo integral de CartaCapital!

É repórter do site de CartaCapital.

Compartilhar postagem